
Após quatro anos de muita luta, Fernanda Souza Rodrigues, 11 anos, começa uma nova fase de sua vida. Ela recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (17), após um mês de internação para um transplante de medula óssea doada pelo irmão, 9. O tratamento aconteceu no Hospital Universitário (HU/UFJF), na unidade Santa Catarina. A menina foi internada no dia 22 de setembro, e a cirurgia aconteceu em 2 de outubro. “Apesar da pouca idade, ela é muito corajosa, determinada e animada”, comenta a avó paterna Lucy Rodrigues da Silva.
Lucy conta que os sintomas da doença da neta começaram quando ela morava no Rio de Janeiro com a mãe. “Fernanda tinha muitas dores de cabeça, nas pernas, e depois começou a ter febre e manchinhas pelo corpo”, relata a avó. A garota recebeu o diagnóstico de leucemia linfocítica aguda (LLA), que é o câncer das células brancas do sangue (leucócitos). De acordo com o hematologista do HU, Abrahão Elias Hallack Neto, esse é o câncer mais diagnosticado em crianças. “Mas não é o tipo de leucemia mais comum”, comenta o médico.
A primeira conduta foi iniciar imediatamente a quimioterapia para eliminar células de rápido crescimento. O tratamento teve início na Ascomcer em Juiz de Fora, ainda em 2010, quando ela tinha 7 anos. A avó relata que todos estavam esperançosos, pois tudo parecia estar dando certo. “Mas em janeiro de 2014, ela começou a apresentar os sintomas novamente, foi quando ficamos sabendo que seria necessário fazer o transplante de medula óssea”.
O de irmão de Fernanda, 9 anos, era compatível, e o procedimento cirúrgico foi realizado pela equipe do Serviço de Hematologia Transplante de Medula do HU. “Fernanda tomou uma quimioterapia muito forte, que mata a medula. Em seguida, recebeu a medula do irmão. Na primeira fase, a defesa caiu até que as células tronco do irmão, que é o material que tiramos da medula óssea, começaram a povoar a medula da paciente”, explica o médico.
Após o sucesso do procedimento, a menina tímida, com uma voz suave, sonha alto: quer ser jogadora de futebol. Ela conta que jogar bola é a primeira coisa que pretende fazer ao chegar em casa. Fernanda, que mora com a avó, voltará, assim que possível, para Guarani. “Vamos aproveitar tudo ao máximo, cada dia é uma nova oportunidade”, filosofa a avó. Agora Fernanda receberá acompanhamento da Fundação Ricardo Moysés Júnior e do HU. “Entramos com o tratamento imunossupressor, para não deixar que a medula do irmão ataque o corpo dela”, observa.
Serviços prestados
O Serviço de Hematologia do HU/UFJF já realizou 244 transplantes, sendo 238 autólogos, quando as células progenitoras provém do próprio paciente, e seis alogênicos, com participação um doador irmão co-sanguíneo ou de um desconhecido previamente selecionado por testes de compatibilidade. Atualmente, o serviço é considerado referência do SUS para Juiz de Fora e região no atendimento aos pacientes que necessitam de consultas em hematologia.
Desde agosto de 2002, é desenvolvido no HU, o Programa de Transplante Autólogo de Medula Óssea, credenciado pelo Ministério da Saúde. Em outubro de 2011, o Ministério da Saúde autorizou a equipe a realizar Transplante de Medula Óssea Alogênico Aparentado. O programa é feito em parceria com a Fundação Ricardo Moysés Júnior e o Hemocentro Regional de Juiz de Fora.
