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Settra aposta em semáforos inteligentes

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Os novos dispositivos têm capacidade de alterar os tempos de abertura e fechamento das vias
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Os novos dispositivos têm capacidade de alterar os tempos de abertura e fechamento das vias

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Dos 140 cruzamentos semaforizados do município, aproximadamente 30% já operam com um novo modelo de controle dos equipamentos. Além de aumentar a confiabilidade do sistema, por serem resistentes a oscilações de tensão elétrica, os novos dispositivos têm capacidade de alterar os tempos de abertura e fechamento das vias em tempo real, de acordo com o volume de veículos do momento. A previsão é de que, daqui a um ano, quando a implantação estiver completa, câmeras sejam instaladas sobre os semáforos, com objetivo de analisar o fluxo. Em toda a cidade, apenas a Zona Norte já está com o trabalho concluído.

A diferença entre o novo software controlador e o antigo é a forma de transmissão dos dados. Antes os semáforos da cidade enviavam informações para a central, instalada na Settra, no Bairro Ladeira, por meio de linhas telefônicas, a partir da contagem volumétrica que era feita por laços magnéticos. Estes dispositivos ficavam sobre o asfalto e tinham a capacidade de verificar a quantidade e a velocidade em que os carros passavam em determinada rua. Na central, engenheiros analisavam a situação de momento e enviavam novas programações, a cada 15 minutos. Agora, a mesma transmissão será feita por meio de ondas de rádio. "Agora a mudança na via poderá ser automática e gradativa. Por exemplo, se tiver uma obra para recompor um buraco na rua, e isso causa engarrafamentos, os tempos mudarão para dar mais fluidez para aquela via. Isso pode ocorrer também, por exemplo, no caso de um caminhão fazendo carga e descarga interromper o fluxo ou torná-lo lento", explica o supervisor de Controle de Tráfego em Área (CTA) da Settra, Clecius Matos.

No Centro, o sistema de transmissão via rádio, com a retirada dos laços magnéticos no asfalto, já está implantado na Avenida Rio Branco, entre o trevo do Bairro Bom Pastor e a Rua Antônio Carlos. Conforme o supervisor, a substituição dos laços por câmeras só não ocorrerá em dois pontos. "São os laços de micro-regulação. Temos um operando na Avenida Rio Branco, interseção com a Rua Oswaldo Aranha. Na pista do meio, o sinal só abre se houver ônibus parados no local. É como uma botoeira (para pedestres) automática", explicou, dizendo que alternativa semelhante existe no Bairro Fábrica, Zona Norte, entre as ruas Bernardo Mascarenhas e General Gomes Carneiro, via de acesso ao 10º Batalhão de Infantaria do Exército.

Além da mudança do sistema, as lâmpadas dos semáforos também estão sendo trocadas por peças com tecnologia em led. De acordo com a Settra, isso significa economia de energia. Estima-se que, nos dispositivos antigos, cada conjunto semafórico representava custo de R$ 300 por mês em manutenção. Já o em led, o investimento é de R$ 60.

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Retenções

Para o engenheiro especialista em Trânsito e professor da UFJF, José Alberto Castañon, o sistema que está sendo implantado tem características avançadas, que permite várias possibilidades de soluções para o tráfego, já que a Settra poderá conhecer o fluxo e organizá-lo melhor, tanto para a semaforização, como para decidir locais de estacionamento e incentivar o uso de caminhos alternativos. "O sistema antigo era ruim porque trabalhava com programações fixas. Quem passava na Rio Branco, às 7h, por exemplo, observava a mudança de programação porque o sinal abria e fechava rapidamente. Agora ele funciona de forma gradativa. Não sei como a central vai atuar, porque esta modificação poderá ser instantânea, feita pelo próprio sistema, ou controlada."

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O engenheiro, no entanto, frisa a necessidade de melhorias no transporte público. Segundo ele, aperfeiçoar os semáforos para diminuir retenções poderia causar um volume ainda maior de carros particulares nas ruas. "Se faz necessária a participação, a educação e o acolhimento da população a estas medidas, por meio de campanhas educativas. Os semáforos precisam significar melhorias e diminuição no tempo para os ônibus, mesmo que isso aumente o fluxo na faixa de veículos."

Para Matos, a mudança do sistema não resolverá os gargalos no trânsito de Juiz de Fora, pois os semáforos não são colocados nas ruas com esta finalidade, e sim com a função de garantir a segurança de motoristas e pedestres onde a situação está crítica. Para garantir maior fluidez ao tráfego, ele aposta nas obras viárias anunciadas. Em alguns casos, inclusive, segundo Matos, os equipamentos são utilizados para quebrar o ciclo e obrigar que os veículos transitem devagar. "Na Rua Santo Antônio tínhamos problemas de alta velocidade. Nós usamos o semáforo para quebrar o sincronismo. Ou seja, quem estava habituado a passar pela via percebia que, se percorresse a 60 km/h conseguiria encontrar todos os sinais abertos, hoje isso não acontece mais. A mesma situação só será possível se ele passar a 40 km/h. Foi uma mudança intencional para garantir a segurança dos pedestres."

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