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Alunos e vigilantes se desentendem

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Estudante de 23 anos mostra marcas de agressão
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Estudante de 23 anos mostra marcas de agressão

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Estudantes da UFJF programam uma manifestação para às 13h30 de amanhã, saindo do Restaurante Universitário do campus, em protesto contra agressão sofrida por um aluno de 23 anos do curso de engenharia elétrica, na última quinta-feira. Eles defendem a apuração da violência supostamente cometida por um vigilante da instituição, além de mudanças na política de segurança da UFJF, que, desde abril, proíbe a realização de eventos festivos no espaço. O consumo de bebida alcoólica nas dependências da universidade, situação também banida em comunicado interno, aumenta a polêmica em relação ao tema. A confusão que culminou na agressão ao estudante começou justamente depois que cerca de 20 vigilantes teriam sido chamados para evitar o consumo de bebida alcoólica dentro do Diretório Acadêmico (D.A.) da Engenharia, por volta das 17h da última quinta-feira, véspera de feriado.

Os seguranças teriam cercado a sala do D.A., que fica no primeiro andar do prédio da Faculdade de Engenharia, e exigido a apreensão das garrafas de bebida. O estudante agredido, porém, não estaria dentro do diretório no momento. "Eu estava chegando na faculdade, por volta de 17h, e não sabia o que estava acontecendo. Quando vimos aquela situação, tentei filmar com o celular de um amigo meu, mas o chefe da segurança disse que não poderia haver filmagem. E, de fato, não houve."

Conforme o rapaz agredido, o chefe da segurança do turno teria ordenado a quatro vigilantes que tomassem o celular dos acadêmicos para evitar qualquer tipo de registro da ação. Assustados, os dois teriam começado a correr pelas dependências da faculdade, sendo perseguidos pelos guardas, que alcançaram um dos jovens já no segundo andar. "Como fiquei um pouco mais atrás do meu amigo, o segurança me derrubou. Tentei me proteger, mas senti pelo menos duas pancadas de cassetete, uma no braço e outra na costela."

O aluno foi atendido no Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas o laudo do exame feito pelo médico de plantão ainda não foi liberado pela unidade hospitalar. A Polícia Civil informou ao graduando que só poderia realizar um exame de corpo de delito após a liberação do laudo. A 99ª Companhia da Polícia Militar registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal.

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Versões contraditórias

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Em nota de repúdio divulgada ontem, o D.A. da Engenharia informou que o responsável pela vigilância, no momento da confusão, teria afirmado que tomaria as providências necessárias "que incluíam arrombar a porta, mesmo o espaço estando fechado, para o recolhimento de bebidas que foram compradas e consumidas por alunos. Como os vigilantes estavam todos sem identificação, os alunos fizeram menção de filmar a ação. Nesse momento, o comandante afirmou que não eram permitidas filmagens, tentou retirar o celular do aluno e logo depois ordenou para que o mesmo fosse ‘pego’."

Ainda conforme o comunicado, "a agressão revoltou dezenas de pessoas que estavam no local, e a operação ‘Al Capone’ (como foi tratada em protesto pelos alunos) terminou porque o diretor da faculdade expulsou os vigilantes, para garantir a integridade física dos alunos."

Já a UFJF, também em nota, "desconhece ato de violência praticado contra aluno e não foi comunicada sobre qualquer ocorrência nesse sentido." Na versão da universidade, os vigilantes da Secretaria de Segurança (Seseg) foram até o D.A. na tentativa de impedir a realização do evento com bebida alcoólica, mas não houve qualquer problema. "Após tomar conhecimento da festa, o diretor da Faculdade de Engenharia, Hélio Antônio da Silva, reuniu-se com os alunos e solicitou que o evento fosse suspenso antes que os 12 profissionais da vigilância precisassem intervir. Após uma conversa com integrantes do DA, o evento foi cancelado."

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Vigilantes podem intervir, diz UFJF

Desde o estupro de uma adolescente de 17 anos durante uma festa com bebida liberada no Instituto de Artes e Design (IAD), em abril, a Reitoria estabeleceu regras mais rígidas para eventos no campus. Entres as medidas, estão a proibição temporária de festas, institucionais e não institucionais, nas dependências da UFJF, bem como do consumo de bebida alcoólica. A determinação não vinha sendo totalmente seguida, como a Tribuna mostrou em reportagem publicada em julho, quando imagens mostravam a presença de cerveja e destilados durante festas realizadas nas madrugadas. Com o novo episódio envolvendo a ingestão de bebida no D.A. de Engenharia, espera-se que o assunto seja debatido novamente na instituição nos próximos dias.

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Enquanto isso, as proibições, que foram anunciadas em caráter provisório na época, continuam. "Em 19 de abril deste ano, a UFJF publicou, após aprovação pelo Conselho Superior (Consu), a portaria nº 333, proibindo a realização de eventos festivos nas dependências da universidade. Já em 13 de setembro, a Secretaria de Segurança (Seseg) publicou um ofício (377/12) informando a todos os diretores e coordenadores (solicitando a divulgação para os alunos) que os profissionais de segurança da UFJF poderiam agir dentro dos ditames legais caso houvesse a ocorrência de festas no campus e nas unidades da UFJF. A medida, segundo o superintendente da Seseg, José Carlos Tostes, foi tomada diante da denúncia de que festas com bebidas continuavam sendo realizadas, apesar de proibidas pela portaria nº 333", informa a universidade.

A medida não agrada os representantes dos estudantes, como o próprio D.A. da Engenharia: "Nós compreendemos que a proibição das reuniões dos alunos dentro do campus fere a liberdade individual de socializar com seus pares, havendo ou não presença de bebida alcoólica para uso individual. Questionamos a proibição, que é uma deliberação da Reitoria, órgão pacífico que tem como função atender aos interesses dos alunos e não endossar o emprego de força, violência e repressão."

Para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), medidas proibitivas não resolvem a questão. "A universidade proibiu festas e bebida alcoólica para dar uma resposta ao estupro, mas, na verdade, não deu uma resposta efetiva ao que aconteceu", critica a estudante Larissa Moreira, membro do DCE. "O que funciona é a adoção de um trabalho de conscientização dos estudantes, o diálogo e, antes de tudo, a punição aos que cometeram o estupro", completa.

 

Sem solução

O caso da adolescente estuprada continua sem solução. Mais de seis meses após a ocorrência, ainda não há suspeitos, tanto na investigação, que ainda é conduzida pela universidade, quanto no inquérito encerrado pela Polícia Civil, que já encaminhou o caso à Justiça. A universidade informou que, durante o período de greve na instituição, a investigação foi impossibilitada, devido à dificuldade em contatar professores, técnicos e alunos.

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