A mulher de 48 anos, resgatada após cair em uma região de mata fechada no Morro do Cristo no último sábado (15), recebeu alta médica do Hospital de Pronto-Socorro (HPS), em Juiz de Fora, e já retornou a Búzios, no Rio de Janeiro, local em que mora com a família. A informação foi confirmada à Tribuna pela cunhada da vítima e pela Secretária de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).
A mulher foi resgatada após pedidos de socorro serem ouvidos por agentes da Guarda Municipal que patrulhavam a área, interditada desde os desabamentos provocados pelo desastre socioambiental de fevereiro. Ela estava presa em um local onde houve rolamento de pedra à época, e teria gritado durante a madrugada, conforme o relato de moradores da região.
Para chegar até a vítima, o Corpo de Bombeiros utilizou uma corda de 200 metros e montou uma rota de rapel para realizar o resgate. Enquanto parte dos militares alcançava a mulher, outra equipe abriu uma trilha à direita da fenda para viabilizar a retirada. Em seguida, ela foi encaminhada pelo Samu-Cisdeste para atendimento médico no HPS, onde deu entrada com ferimentos no pescoço, braço e escoriações nos glúteos.
Conforme a Secretaria de Saúde da PJF, no local ela foi atendida pela equipe assistencial e, após avaliação multiprofissional, apresentou evolução clínica satisfatória e recebeu alta médica.
À Tribuna, a cunhada da vítima informou que ela foi liberada ainda no mesmo dia e retornou para Búzios, a cerca de 330 quilômetros de Juiz de Fora, onde vive com o marido e os filhos.
‘Para nós foi um choque’: família relata contexto vivido antes do resgate
A vítima veio a Juiz de Fora para acompanhar a mãe, que estava internada para a realização de exames. Durante o período de internação, ela e as irmãs se revezavam nos cuidados, permanecendo uma semana de cada vez na cidade. Segundo a cunhada, mãe e filhas sempre mantiveram uma relação muito próxima.
Há cerca de quatro meses, porém, a mãe recebeu o diagnóstico de um câncer agressivo e em estágio avançado, o que alterou a rotina de toda a família. Desde então, segundo a cunhada, as filhas passaram a lidar com a apreensão diante do estado de saúde da mãe e das incertezas em relação ao tratamento.
Na avaliação da família, esse contexto de forte pressão emocional antecedeu o episódio de desorientação vivido pela mulher, que acabou chegando à área interditada onde, posteriormente, foi encontrada e socorrida. “Para nós foi um choque, um golpe. Ela sempre mostrou ter o pé no chão”, conta, destacando que devido ao quadro de saúde delicado da mãe, a mulher estava sob extrema pressão. “Quando ela foi resgatada com vida foi um momento especial. Porque ela é especial.”
Em caso de necessidade de apoio emocional, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), ligue 188. As conversas ocorrem sob sigilo e anonimato.

