
Com a porta entreaberta, biblioteca estava vazia
A Secretaria de Educação iniciou o segundo semestre na rede municipal de ensino com mudanças que preocupam educadores. Para cumprir acordo feito entre Prefeitura e Sindicato dos Professores (Sinpro), respeitando o artigo 2º da Lei 11.738/2008, que prevê que um terço da carga horária do professor seja usado na preparação das aulas e em atividades extraclasse, foram reduzidos cinco minutos de cada módulo/aula. Para suprir a demanda, a PJF teria que contratar novos professores, mas ao invés disso, realocou educadores que trabalhavam em outras funções, como nas bibliotecas, para as salas de aula. O remanejamento encerrou projetos intraturno, mas a crítica dos educadores é quanto ao fim do "Projeto de leitura", elaborado e executado por professores que trabalhavam, exclusivamente, nas bibliotecas das escolas e que incentivam a leitura de forma lúdica, usando recursos como contadores de história, teatro e oficinas de livro.
A coordenadora da Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade, no Bairro Nova Era, Zona Norte, Laura Neuma, preocupa-se com a situação. "Nós íamos participar do "Literatudo" desse mês, mas, por falta do professor na biblioteca, não vamos poder." O "Literatudo" é um círculo de leitura, no qual alunos de uma escola visitam outra unidade e apresentam atividades, todas pautadas na literatura.
Para a coordenadora do Sinpro, Aparecida de Oliveira Pinto, "o ‘Projeto de leitura’ é um grande ganho para os estudantes das escolas mais afastadas que não possuem condições de visitar bibliotecas no Centro. O projeto é maravilhoso, os alunos estão lendo. Quem vai sair perdendo com essa decisão são eles", declara Aparecida, complementando que alguns professores foram deslocados para outras escolas da rede e que estariam insatisfeitos com a decisão. Em algumas instituições, funcionários foram realocados para as bibliotecas, dando continuidade à rotina de empréstimos e devolução de livros, mas Aparecida afirma que algumas escolas estariam com as bibliotecas sem profissionais e fechadas.
Este é o caso da Escola Municipal Santana Itatiaia, no São Pedro, Cidade Alta. A diretora Adriana de Fátima Pereira Ramos relata que a biblioteca encontra-se fechada por falta de servidor. "A professora que desenvolvia o projeto aqui foi transferida para a sala de aula. Não tem ninguém de manhã para abrir o espaço e, no turno da tarde, a Secretaria de Educação informou que iria disponibilizar uma professora para fazer empréstimo de livros. Nós temos um acervo muito rico e desenvolvíamos um trabalho muito importante com as crianças. Estamos muito tristes com o fim do projeto", lamenta Adriana. O colégio atende crianças em fase de alfabetização, entre 4 e 6 anos.
Reorganização
"A ideia é reogarnizar a programática de leitura dos alunos, levando os projetos de leitura para sala de aula, onde todos os professores, de todas as disciplinas, são responsáveis pela leitura e pelo fortalecimento dela", declarou o secretário de Educação, Weverton Vilas Boas. Ele destacou ainda que 60 escolas da cidade fazem parte do programa "Mais educação" do Governo federal, no qual as classes dos anos iniciais do ensino fundamental recebem caixas de livros de literatura para auxiliar na alfabetização, além de projetos de reforço escolar fora do horário de estudo. Quanto ao projeto "Literatudo", o secretário anunciou que 38 escolas irão participar da terceira edição do evento entre os dias 26 e 30 deste mês. A Secretaria de Educação informou ainda que está em fase de estudos, em parceria com a Funalfa, um projeto para transformar as bibliotecas escolares em espaços abertos à comunidade, ampliando os locais para leitura e incentivando a permanência do aluno e dos familiares na escola.

