A Casa Bethânia de Passagem e Acolhimento inaugurou uma nova unidade com 12 leitos, na Rua Santos Dumont 236, no Granbery, mas o antigo imóvel, na mesma via, com cinco leitos, não deixará de atender os pacientes com câncer. O trabalho, realizado pela Associação Angélica Lamóia de Carvalho, começou há quatro anos e, desde então, hospeda e oferece alimentação para aqueles que vêm a Juiz de Fora continuar o tratamento contra a doença. Fundada pelo padre David José Reis, capelão do Instituto Oncológico, a casa tem o objetivo de suprir uma carência. "A falta de uma referência familiar na cidade obrigava estes pacientes a passarem o dia inteiro sem comer ou descansar. Esta, portanto, é a nossa missão, dar um lar para quem está longe do lar."
Os pacientes concordam e agradecem. "Sem a casa, não teria como fazer meu tratamento. Aqui fiz muitos amigos," destacou Salete Marques, 55. Ela mora no município de Barroso e está na unidade há dois meses. José Marques, 55, de Barbacena, é o mais novo hóspede, tendo chegado há duas semanas. "Minha irmã veio fazer o tratamento em 2010. A médica dela indicou a casa. Agora, eu precisei e estou recebendo o mesmo carinho e atenção que dedicaram à minha irmã." José Diogo Fagundes, 79, de Paula Cândido, em função da doença, passou por uma cirurgia em 2003. "Estou aqui porque não teria condições de passar pelo tratamento viajando todos os dias para minha cidade. É muito cansativo e caro. Aqui nem vejo o tempo passar." Sebastião Ferreira dos Santos, 76, e Paulo Roberto Pereira, 66, são de Andrelândia. Os dois comentaram que a convivência ajuda a diminuir o sofrimento e a ansiedade do tratamento. "Conseguimos nos distrair," afirmou Sebastião. Isaury Batista de Menezes, 59, veio de Ritápolis. "Faço tratamento desde 2010, quando sofri uma cirurgia no Hospital Universitário. Com a hospedagem e as amizades que fiz aqui, consigo esquecer da doença," finalizou.
Por ano, cerca de mil pessoas são atendidas e, por dia, a casa recebe, em média, dez pessoas. "Já chegamos a oferecer alimentação para 30 pacientes. É gratificante, porque formamos vínculos com aqueles que por aqui passam", observou o coordenador da instituição Mauro Vidal. A indicação do lugar é realizada pelas assistentes sociais do Instituto Oncológico, e a alimentação é oferecida a qualquer paciente em situação de carência. A Casa Bethânia funciona com o trabalho de 42 voluntários e sobrevive de doações que podem ser feitas no local (Rua Santos Dumont 117, Bairro Granbery) ou por depósito no Banco do Brasil (agência 0024-8, conta 95.000-9).
