
Moradores do entorno reclamam de mau cheiro
Uma casa no Bairro Santo Antônio, Zona Sudeste, onde são encontrados dezenas de cães, tem provocado indignação de moradores da região. Segundo eles, são mais de 50 animais mantidos em uma área externa. Os abrigos onde ficam os cachorros possuem telhados, protegendo-os de sol e chuva. Por causa da quantidade de bichos, o cheiro forte de fezes e urina nas proximidades incomoda. "Quando o sol esquenta, é terrível. No terraço da minha casa, não tenho a liberdade de fazer festas porque ficaria com vergonha dos convidados com esse cheiro", contou um aposentado . A reclamação sobre o mau cheiro é frequente na vizinhança. "Compro excelentes produtos de limpeza, gosto da minha casa limpa e preciso ficar o dia inteiro com a janela fechada por causa desse fedor. À noite, é ainda pior", disse um professor.
Além disso, moradores reclamam que o terreno atrai ratos e pombos, que podem transmitir doenças, principalmente às crianças de uma creche existente na rua. "É uma questão de saúde pública", afirmou outro aposentado.
A dona dos cachorros ressaltou o amor pelos animais. "Cuido de cães há 25 anos. Mas desses, só três são meus. Os demais, foram jogados pelo muro. Já peguei bicho com sarna, bicheira, berne", contou, emocionada, a aposentada Norma Campos. A mulher informou que 90% dos animais são castrados e todos estão com as vacinas em dia. Para isso, conta com a ajuda de uma veterinária. Em relação ao banho dos animais, ela fala que frequentemente são levados em uma clínica. "Eles vão em pequenos grupos e, por isso, não dá para tomar banho sempre." Segundo a aposentada, são gastos 30kg de ração por dia para alimentar os cães. Ela diz que recebe doações suficientes para cobrir a alimentação por 20 dias. O restante, completa com o dinheiro da sua aposentadoria.
Higienização
Em relação à limpeza do espaço, Norma diz que ela é feita duas vezes ao dia, usando cloro. "Logo cedo, dou a ração, recolho as fezes, jogo água com cloro. Quando são 16h, jogo uma mangueira no terreno novamente." A mulher diz que apenas no sábado tem um ajudante para fazer a faxina do ambiente.
A Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) informou que a proprietária da casa já foi multada. A última autuação foi em 2010. Segundo a assessoria da pasta, em março, um fiscal esteve no local e não constatou irregularidades. O estado de limpeza do imóvel foi considerado satisfatório e o tratamento dado aos cães, em relação a alimentação e água, adequado.
A veterinária responsável pelo Canil Municipal, Liza Helena Nery, alerta sobre a importância da higienização sistemática do espaço. "O ambiente deve estar sempre limpo, retirando a matéria orgânica e utilizando cloro. Se estiver sujo, o local atrai moscas. Isso, para a vizinhança, é complicado", ressaltou. A veterinária diz, ainda, que a limpeza realizada duas vezes ao dia, com a quantidade de animais nesse espaço, não é suficiente. "O ideal é a higienização várias vezes ao dia. Se não for assim, realmente vai dar mau cheiro. O ambiente contaminado aumenta a proliferação de doenças e outros parasitas, sendo um fator de risco tanto para os animais como para a proprietária." Liza dá uma dica para a dona dos cães: "Os animais devem ser alimentados no mesmo horário. Logo depois de comerem, eles defecam. Isso facilita a limpeza. Se não for assim, vai passar o dia limpando o ambiente, enquanto os cães contribuem para espalhar as fezes."

