Postes com luzes acesas durante o dia e ruas escuras à noite. O que parece uma contradição é, na verdade, a situação vivida no Centro e nos bairros de Juiz de Fora. Em corredores estratégicos como as avenidas Brasil, Andradas e Rio Branco e as ruas Santo Antônio, Barão de Cataguases e Espírito Santo, o desperdício de energia pública é facilmente constatado. Enquanto isso, moradores do Bairro Terras Altas, na Zona Sudeste, sofrem com a falta de iluminação adequada em toda a região, onde vivem atualmente cerca de 40 famílias que pagam taxa de iluminação pública. Fato semelhante é presenciado pela comunidade de Caeté, onde a população denuncia a existência de muitas lâmpadas queimadas.
Nas últimas semanas, sempre em dias de céu claro, a Tribuna percorreu as principais vias da área central e identificou diversas irregularidades. Somente na Avenida Brasil, entre a Ponte Nelson Silva, em frente à Regional Leste, e a ponte do Bairro Manoel Honório, oito lâmpadas foram encontradas acesas. Na Avenida Rio Branco outros dez estruturas apresentavam luzes acesas desnecessariamente, além de cinco na Avenida dos Andradas, quatro na Rua Santo Antônio, duas na Barão de Cataguases e Espírito Santo, uma na Avenida Doutor José Procópio Teixeira, no Bom Pastor, e outra na Avenida Getúlio Vargas, no cruzamento com a Rua Floriano Peixoto. De acordo com relatos de moradores e comerciantes, em todos os casos os problemas são antigos, e nunca foi apresentada uma solução.
A Cemig argumenta, por meio da assessoria de comunicação, que muitos destes problemas são resolvidos após registro de reclamações pelo telefone 116. A concessionária atribui a ativação desnecessária das lâmpadas a falhas no equipamento fotosensor, responsável por acender os postes, quando a iluminação natural cai. A informação é de que uma equipe de manutenção percorre todas as ruas da cidade com o objetivo de identificar irregularidades.
Terras altas
Mesmo pagando taxa de iluminação pública, a população do Bairro Terras Altas afirma que não pode contar com o serviço de forma satisfatória. O pedreiro Joaquim Gomes Filho, 52 anos, convive com o incômodo há pelo menos quatro anos. Ele acompanha o crescimento da região e conhece bem a situação. "Sofremos com dois problemas: muitos postes não têm lâmpada e, em outros, elas já estão queimadas." Joaquim contabiliza postes apagados na principal via de acesso ao local, a Avenida Fernando Senra, e nas ruas Dezenove, Dez e Dois.
Drama semelhante é vivido pela aposentada Maria de Lourdes Silva. Apesar de só ter se mudado para o bairro há cerca de um mês, ela já conhece os riscos de viver no local. Sua casa, na Avenida Fernando Senra, recém-construída, possui muros altos e cerca, evidenciando o medo de residir em uma área mal iluminada. "Nem poste tem na frente da minha casa, sem contar que a luz cai praticamente todos os dias. Quando a campainha toca, já fico com receio de atender, principalmente se for à noite," lamenta.
Sobre este problema, a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras informou que, antes de se tornar um bairro, o Terras Altas era um loteamento de responsabilidade de um empreendedor particular, que deveria instalar os postes. No entanto, isso não aconteceu e, no último mês, houve um acordo entre Prefeitura e moradores, intermediado pelo Ministério Público, para resolver o impasse. Além dos 50 postes já instalados, nos últimos dias foram colocados mais 54, o que, conforme a pasta, seria suficiente para suprir a atual necessidade da comunidade.
Escuridão agrava clima de insegurança
Postes apagados também prejudicam moradores da Zona Rural. É o caso, por exemplo, do distrito de Caeté, onde o problema afeta diretamente os moradores que trabalham no Centro de Juiz de Fora e precisam sair muito cedo, ainda sem a luz do dia. "Está muito perigoso, principalmente na Estrada de Caeté, próximo ao Hotel Fazenda. Dois postes estão apagados há meses, e o local é passagem para quem precisa chegar ao ponto de ônibus", reclama a servente Maria Aparecida Marques. Ela acrescenta ainda que a iluminação é fraca.
Lâmpadas queimadas em postes também foram identificados na Avenida Guadalajara, via de acesso ao Aeroporto da Serrinha, e na Rua Espírito Santo, próximo ao Bairro Poço Rico. Apesar de nestes casos, as falhas terem sido identificadas apenas em alguns trechos, a escuridão pode colocar em risco quem passa pelo local. A estudante universitária Marcela Junqueira, 19, que mora próximo ao Viaduto Augusto Franco, no Poço Rico, já passou pela situação. "Fui assaltada exatamente neste local, onde o poste está apagado. Parece que os bandidos se aproveitam da situação", lamenta.
Em relação às reclamações da comunidade de Caeté, a Prefeitura explica que aguarda verba do Governo Federal, por meio do programa "Luz para todos", para substituir as lâmpadas de vapor de mercúrio para vapor de sódio, que são mais eficazes. No entanto, não há previsão de quando os serviços serão executados. Além disso, a Secretaria de Obras argumenta que instalações de novos pontos de iluminação acontecem no distrito sempre que há necessidade. Já a Cemig pede que os moradores de todas as regiões da cidade registrem reclamações pelo telefone 116 para que a empresa resolva as falhas. O prazo para solução dos problemas é de até 30 dias.
