O perigo do tráfego de veículos pesados volta a preocupar após o acidente de ontem, envolvendo um caminhão-baú, uma caminhonete S10 e outros três carros de passeio. A primeira questão é sobre a necessidade de restrição de veículos de grande porte na área urbana. A outra é o receio da população de que haja riscos se caminhões deste tipo continuarem parando nos semáforos recém instalados na Avenida Itamar Franco, trecho que é muito íngreme, e onde ocorreu o tombamento do veículo, na última quinta-feira. "Acho que nenhum caminhão muito pesado aguenta ficar parado no sinal nesta ladeira. Depois de ter visto este acidente, fiquei com a impressão de que pode voltar a acontecer", pondera a secretária Maria Fernanda Fontes, que presenciou o caso, mas não teve seu carro atingido.
Para o engenheiro e especialista em transportes Guilherme Fácio, a ocorrência de quinta-feira foi uma fatalidade. "Ônibus pesados passam pelo trecho diariamente, cheios de passageiros. Se o problema fosse o porte do veículo, outros acidentes, ainda que de menor proporção, teriam acontecido antes." Contudo, ele defende que a parada de veículos pesados naquele sinal pode, sim, prejudicar a fluidez do tráfego na região, que já era intenso antes da colocação dos dispositivos. "Ainda que não haja ameaça à segurança, o que depende muito do tipo de caminhão e do peso da carga, a circulação de grandes carretas ali, por si só, deixa o trânsito mais lento. Isso porque elas são muito pesadas e demoram mais tempo para conseguir velocidade suficiente para voltarem a se deslocar."
Para Fácio, é preciso pensar em um remanejamento da sinalização. "Há necessidade de semáforos naquela região, porque o trânsito precisa ser organizado. Na realidade, o ideal seria que fosse possível construir uma grande rotatória, mas não há espaço físico suficiente." O engenheiro aponta, ainda, que os problemas no trecho são reflexo de um contexto mais abrangente. "Juiz de Fora não comporta mais tantos veículos. Sendo assim,o que se pode fazer é buscar soluções pontuais. Naquele segmento, acredito que seja preciso repensar a temporização dos sinais, bem como sua localização. Isso pode conferir mais fluidez ao tráfego, mas depende de um estudo muito detalhado."
Restrições
Na opinião de Fácio, a proibição da circulação de veículos de grande porte naquela região é inviável. "Aquele trevo dá acesso a diversos bairros da cidade, levando cargas de abastecimento vitais à cidade. Além disso, muitas vezes, eles circulam por ali para não ter que passar pelo Centro." Ele afirma, ainda, que, em muitos casos, há imprudência de condutores. "Existem muitos locais onde a passagem de caminhões é proibida, ou restrita, mas o problema é que as pessoas estão cada vez mais sem paciência no trânsito e querem fazer o caminho mais fácil ou rápido, ainda que proibido."
Conforme a assessoria de comunicação da Settra, a proibição total da circulação de transporte de cargas na área central é impossível, já que eles fazem parte do sistema de transporte urbano e abastecimento do município. A pasta informou que existem restrições (ver quadro), que visam a facilitar a circulação em horários de maior movimento. Em relação ao acidente ocorrido na Avenida Itamar Franco, os técnicos não avaliam a região como de aclive acentuado, de modo que impossibilite a instalação de semáforos. A pasta acrescentou ser preciso considerar que a topografia da cidade é marcada por declives e aclives, e isto não pode impedir a presença de equipamentos semafóricos, que têm o objetivo de organizar e dar mais segurança a pedestres e motoristas. A assessoria comunicou também que, tanto a temporização quanto o posicionamento dos sinais, passaram por avaliação na primeira semana de funcionamento. Segundo os técnicos, a operação atual foi considerada ideal, o que não impede nova mudança, já que os dispositivos passam por avaliação periodicamente.
