Morreu nesta quarta-feira (16) a 106ª vítima de crimes violentos cometidos na cidade desde o ano passado. O adolescente Rusível Silva Costa, 17 anos, brutalmente espancado em setembro de 2012, quando saía de uma casa noturna, no Centro, faleceu após quatro meses de hospitalização. Morador do Bairro Vitorino Braga, ele ficou em coma por mais de um mês, em função das lesões provocadas por chutes na cabeça. Mesmo após ter saído da UTI, continuou internado em estado vegetativo. A longa permanência no hospital acabou resultando em repetidas infecções. Depois de lutar 126 dias pela vida, ele não resistiu a um novo quadro infeccioso.
Após ser agredido por cerca de seis rapazes, em 10 de setembro do ano passado, ele foi encontrado sem roupa e coberto por papelão na Rua José Calil Ahouagi. Sofreu vários ferimentos na cabeça, face e abdômen e estava inconsciente quando foi resgatado. Socorrido pelo Samu, Rusível foi levado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), com traumatismo craniano e escoriações pelo corpo. Desde a data da ocorrência, não respondia a estímulos. Paralisado do pescoço para baixo, ele se alimentava por meio de sonda e passava por sessões diárias de fisioterapia. Mantido no HPS até o início de janeiro, ele foi transferido para Carandaí, para ficar mais perto da família paterna. O enterro de Rusível será feito em Carangola, cidade onde nasceu. Muito abalada, a mãe do adolescente, a cozinheira Regina, 41 anos, afirma estar sem rumo. A minha vida acabou, foi o que conseguiu dizer logo que soube da notícia.
Segundo filho de uma família de três irmãos, ele foi personagem da série Até quando?, publicada pela Tribuna em dezembro. Desde setembro, quando foi vítima da ação de uma gangue, o jornal acompanhava seu quadro, mantendo contato permanente com a família. Um dos sonhos do jovem era reencontrar o pai de quem se afastou ainda bebê. Com a notícia do espancamento, o agricultor passou todos os dias da internação ao lado do filho, embora ele não conseguisse registrar sua presença.
Quatro meses após o episódio, nenhum suspeito foi localizado pela polícia. Até agora, o caso vinha sendo tratado como lesão corporal, e apenas uma testemunha, citada na ocorrência, foi intimada a depor, embora não tenha comparecido. Ao saber da morte do adolescente, a delegada Mariana Veiga, titular da 7ª Delegacia, instaurou inquérito para identificação dos autores da agressão.
Crime em Rosário de Minas é investigado
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de Flávio Petrarca de Mesquita Neto, 46 anos, que foi a óbito 20 dias depois de ser agredido, no Distrito de Rosário de Minas, na Zona Norte, na véspera do Natal de 2012. Segundo o delegado responsável pela apuração, Rodolfo Rolli, a vítima morreu, no último dia 13, no Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde foi internada dias após o acontecido, uma vez que não teria procurado socorro na ocasião de seu espancamento. Conforme o que já foi apurado, Flávio teria sido convidado para uma festa de Natal, naquela localidade, em residência de conhecidos. Em função de um desentendimento com pessoas que estavam no local, a vítima teria se embriagado, o que teria levado quatro indivíduos, que já foram identificados, a agredir Flávio, que foi deixado abandonado na praça do distrito.
Em seguida, Flávio foi para casa, no Bairro Granjas Bethânia, Zona Sudeste, acreditando estar bem, uma vez que não apresentava ferimentos aparentes. Entretanto, dias depois, começou a se sentir mal, procurando o HPS em 4 de janeiro. Ele foi imediatamente entubado e permaneceu internado em estado grave, já que apresentava lesões internas. Depois de sua morte, seu corpo foi encaminhado ao IML. Como apontou o delegado, o laudo de necropsia constatou que, entre as causas do óbito, estava um hematoma subdural, que é um tipo de sangue acumulado no interior do cérebro, que teria sido provocado pelas agressões. A mãe da vítima foi ouvida ontem por Rodolfo Rolli, já que ela foi a primeira pessoa a ter contato com Flávio depois de ele ter sido espancado. Ela nos contou como foi a dinâmica dos fatos ocorridos, mas ainda não temos informação de como seu filho foi agredido. Ao final das investigações, os quatro suspeitos poderão responder pelo crime de lesão corporal seguida de morte, cuja pena varia de quatro a 12 anos de prisão; ou homicídio qualificado, que prevê de 12 a 30 anos.
