As famílias das duas últimas vítimas da onda de violência no bairro, Hiago Carlos Luna de Freitas, 17 anos, e Wanderson Dias do Nascimento, 16, estamparam camisas com as fotos dos dois, que eram primos. "Dois amigos inocentes partiram, levando muita dor e saudade", dizia o escrito na camiseta branca. Os dois adolescentes foram executados na madrugada do dia 8, enquanto voltavam de uma festa em uma granja. Hiago foi atingido com vários tiros na cabeça, nas coxas e na barriga. Já Wanderson foi alvejado na cabeça. Eles morreram na hora, e os suspeitos ainda não foram localizados. Ambos estudavam e comemoravam o ingresso em um curso profissionalizante. A família garante que nenhum dos rapazes vinha recebendo ameaças ou estava envolvido em confusão.
"Queremos justiça, e que não aconteçam mais mortes como essas", disse o pai de Hiago, o metalúrgico Nelson José de Freitas. A mãe do jovem, a dona de casa Neuzeli Luna, também clamou por justiça. "Daqui a pouco acontece uma chacina em Igrejinha, e as coisas vão continuar do mesmo jeito. Deram cinco tiros no meu filho e um na cabeça do meu sobrinho. Esses assassinos não podem continuar andando na rua", disse, emocionada. Já o pai de Wanderson cobra a instalação de um posto policial, que poderia atender, além de Igrejinha, a outras localidades da região. "Não podemos continuar com essa violência. Há 45 anos morando aqui, nunca vi a situação desse jeito", pediu o caldeireiro Carlos Roberto Dias.
Histórico
A recente onda de violência na localidade onde moram cerca de sete mil pessoas começou em outubro, quando o jovem Iago de Souza, 19 anos, foi morto com tiros no queixo, tórax e axila. No mês seguinte, Isaltino Cassiano de Oliveira, 39 anos, foi morto a tiros em frente a um bar, enquanto descia de um ônibus. Poucos dias depois, o comerciante Leonardo Freitas da Cruz, 24 anos, foi surpreendido por um criminoso armado enquanto o empresário fechava o bar. Ele levou vários tiros, chegou a ser socorrido, mas chegou à UPA Norte já morto.
