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Pais e alunos temem perda do ano letivo devido à greve

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Estudante da Escolar Normal mostra caderno em branco
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Estudante da Escolar Normal mostra caderno em branco

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Foi publicada ontem a resolução da Secretaria de Estado de Educação (SEE) que autoriza a contratação de professores substitutos para todas as séries dos ensinos fundamental e médio. Os designados assumirão os lugares dos profissionais em greve há cem dias. Embora a expectativa do Estado seja reforçar o quadro com 12 mil docentes temporários, a medida pode não apresentar resultados significativos. Segundo a subsede de Juiz de Fora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), apenas cinco vagas foram preenchidas desde que o Governo aplicou a medida nas turmas do terceiro ano do ensino médio, no mês passado, com o intuito de evitar prejuízos maiores aos vestibulandos.

Desde 29 de agosto, foram abertas 92 vagas para professores substitutos de grevistas destas classes em editais disponíveis no site da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora. Algumas disciplinas, como física e língua estrangeira, por exemplo, já estão na terceira e quarta chamadas de servidores, respectivamente. Para o diretor local do Sind-UTE André Nogueira, a dificuldade de preenchimento das vagas seria justificada pela "falta de professores interessados, má divulgação dos editais e pelo fato de muitos trabalhadores não aceitarem substituir grevistas."

A diretora da SRE de Juiz de Fora, Maura Couto Gaio, acredita que não haverá dificuldades em preencher as vagas, mas lembra que a abertura dos editais de designação são de responsabilidade da direção de cada unidade. Apesar de não confirmar o número de substituições já efetivadas, Maura acredita que muitas delas não foram realizadas devido ao retorno do professor titular ao trabalho.

Enquanto a situação não se define, pais e alunos temem a perda do ano letivo. A vendedora Cristiana Rodrigues, 31 anos, tem quatro filhos matriculados na rede estadual e pretende transferir o mais velho, 14, para um colégio particular em 2012. Ele estuda na Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central), e a mãe lamenta as perdas de conteúdo. "Desde a última segunda-feira, muitos professores voltaram, mas estão faltando notas das disciplinas perdidas no boletim. Meu filho mais novo, de 8 anos, não compreende a situação. Há dias que pede para ficar em casa, achando que é normal não ter aulas." Segundo Cristiana, apesar de haver reposição, "está faltando ao Governo enxergar a educação como algo importante e, enquanto isso não ocorrer, vou fazer o que puder para que eles estudem na rede particular, pelo menos no ensino médio".

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As estudantes do Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) Juliana Saez,14, Júlia Duarte,15, e Flaviane Carmo,14, estão no ensino fundamental e têm boa parte das páginas dos cadernos em branco. "Ficamos sem quatro disciplinas. Depois das férias, dois professores voltaram e agora estamos sem outros dois", diz Juliana. O medo de Júlia é que as reposições não garantam o aprendizado. "Tem gente dizendo que vão passar todo mundo direto, o que também seria ruim, já que vamos precisar dessas matérias no ano que vem."

O receio da adolescente é o mesmo da dona de casa Cláudia Moreira, 41. Mãe de dois alunos também da Escola Normal, ela matriculou o filho de 15 anos em um cursinho particular, na esperança de que ele possa obter bons resultados no Pism da UFJF. "Sabemos que os professores estão lutando por direitos, mas o aluno é o mais prejudicado. Na última segunda-feira, não houve aula, há dias que eles saem mais cedo, outros que chegam mais tarde, e tem sido assim há meses."

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Sábados e feriados terão que ser usados em reposição

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) entende que a designação dos professores para substituir os grevistas é uma "afronta ao direito de greve". Porém, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) alega, em nota, que o objetivo "é evitar danos irreparáveis aos alunos das escolas afetadas, uma vez que a paralisação parcial dos servidores já comprometeu o calendário escolar de 2011 e começa a colocar em risco o calendário escolar de 2012".

O diretor local do Sind-UTE André Nogueira concorda que cem dias de greve são prejudiciais aos alunos, mas defende que "não há outra maneira enquanto as negociações com o Estado não avançarem". Mesmo que as aulas sejam retomadas na próxima segunda-feira, incluindo sábados e feriados, os 200 dias letivos exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) só serão concluídos no dia 24 de fevereiro de 2012. Neste caso, as férias escolares de 2011 iriam de 27 de fevereiro a 11 de março. Mas a diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, Maura Couto Gaio, explica que, nas escolas parcialmente paralisadas, as matérias prejudicadas podem ser distribuídas em sábados e feriados, com possibilidade de conclusão do ano letivo ainda em dezembro.

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De acordo com a SEE, das 40 escolas estaduais de Juiz de Fora, 35 estão com as atividades parcialmente paralisadas em decorrência da greve, mas nenhuma com adesão total. Porém, o Sind-UTE afirma que as escolas Estêvão de Oliveira, no Centro, e Dilermando Costa Cruz, no Linhares, foram fechadas esta semana.

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