Em Juiz de Fora, 505 universitários já vivem, antes da formatura, desafios que normalmente seriam associados ao início da carreira. Eles integram 29 empresas juniores, nas quais atendem clientes, desenvolvem projetos e assumem responsabilidades profissionais ainda durante a graduação.
Foi assim que Lucas Gasparoni se viu diante de uma situação que ultrapassava os exercícios da sala de aula. Quando as chuvas atingiram Juiz de Fora em fevereiro deste ano, moradores buscaram ajuda para saber se imóveis com paredes rachadas e estruturas comprometidas ainda ofereciam condições de habitação. À frente da Porte Jr., empresa júnior dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura da UFJF, Lucas coordenou parte dessas avaliações. Na prática, a experiência mostrou que a profissão pode começar muito antes do diploma.
O caso faz parte de um movimento que ganha escala em Minas Gerais. No último ano, as empresas juniores movimentaram R$ 6,3 milhões em projetos de consultoria, segundo a Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais (Fejemg). Foram mais de 1.750 projetos realizados para empresas, organizações e iniciativas de impacto social. Ao todo, a rede mineira reúne 284 empresas juniores, distribuídas em sete núcleos regionais.
Em Juiz de Fora, as 29 empresas juniores estão vinculadas a sete instituições de ensino superior – Estácio, Faculdade Suprema, Granbery, IF Sudeste MG, Salgado de Oliveira, Uniacademia e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – e reúnem os 505 estudantes que ajudam a dar dimensão local ao movimento.
Da teoria à prática
Nas empresas juniores, universitários administram organizações sem fins lucrativos e prestam serviços para clientes reais, colocando em prática conhecimentos da graduação. O modelo também amplia o acesso de pequenos empreendedores e da população a consultorias e projetos técnicos, geralmente a custos inferiores aos de empresas consolidadas.
Na Porte Jr., dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura da UFJF, os principais clientes são pessoas físicas e pequenos empreendedores. Em 2026, a empresa reúne 42 integrantes, fechou 31 contratos e realizou 211 negociações. Após as chuvas de fevereiro, a organização recebeu demandas relacionadas a imóveis com danos estruturais.
“A gente aprende a trabalhar em equipe, amplia a rede de contatos, atende clientes de verdade e entende a responsabilidade que existe por trás de cada projeto”, afirma Lucas Gasparoni. Segundo ele, a experiência também ajudou a superar a insegurança na comunicação.
A busca por crescimento profissional levou Luan Laport à Campe Consultoria Jr. Em 2024, ele fazia um estágio no qual não enxergava perspectivas de crescimento. Hoje, presidente da empresa júnior que reúne 28 integrantes e desenvolveu 39 projetos em 2026, considera a experiência decisiva para sua formação. “Minha principal habilidade adquirida foi a liderança, algo muito difícil de conquistar tão cedo na carreira”, explica.
Não foi muito diferente para Eduarda Mrad, presidente da Mais Consultoria Jr., do curso de Engenharia de Produção da UFJF, que entrou na organização pelas oportunidades profissionais, mas acabou encontrando um propósito maior. “Na empresa júnior conseguimos colocar as teorias aprendidas na sala de aula em prática. Isso faz com que o estudante se torne um profissional muito mais preparado para o mercado”, acredita a estudante.
Para Eduarda, o contato com clientes reais e a responsabilidade pelos projetos contribuem para o amadurecimento profissional e mudam a maneira como os estudantes enxergam a própria profissão.
Juiz de Fora rumo ao ENEJ
Entre 27 e 30 de agosto, Lucas, Luan e Eduarda estarão entre os representantes de Juiz de Fora no Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ), no Mineirinho, em Belo Horizonte. Promovido pela Brasil Júnior, o evento também sediará a Conferência Mundial de Empresas Juniores (JEWC) e reunirá estudantes de diferentes regiões do Brasil e de outros países. A expectativa é que mais de 650 universitários da Rede Mineira participem do encontro.
Para Luan, a grandiosidade do evento serve como combustível para renovar o propósito do movimento. Eduarda destaca a oportunidade de conhecer diferentes culturas e formas de empreender. Lucas resume o sentimento: “Nós somos uma grande família.”
Para centenas de universitários juiz-foranos, a experiência representa mais do que um diferencial no currículo. Nas empresas juniores, a profissão deixa de ser apenas conteúdo aprendido em sala de aula e passa a ser vivida por meio de desafios, responsabilidades e decisões que, para muitos, só chegariam depois da formatura.
*Estagiária sob a orientação da editora Gracielle Nocelli
