Um dos foragidos da Justiça que estava na lista dos 12 mais procurados do Estado se entregou na noite de terça-feira em Vespasiano, na região Metropolitana de Belo Horizonte. Ronan Rodrigues Pereira, 24 anos, conhecido como Ronan do Bom Será, era procurado por homicídio, tráfico de drogas e ameaça a policial civil. Ele teve o rosto estampado nos cartazes da terceira fase do programa "Procura-se", lançado no dia 10 deste mês com a interiorização do projeto. Na mesma lista, está Wagner Neves, 33, suspeito de participar do duplo homicídio de dois capitães do Exército, em 2010, na saída de uma casa noturna no Aeroporto, Cidade Alta, e de atuar no tráfico de drogas de Juiz de Fora.
Na manhã de ontem, o comandante da 4ª Região da PM, coronel Ronaldo Nazareth, e o chefe do 4º Departamento de Polícia Civil, delegado Rogério de Melo Franco Assis Araújo, falaram da importância do "Procura-se" durante entrevista à imprensa na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Nova Era, Zona Norte. "Dos 18 foragidos divulgados nas duas primeiras listas (que contemplaram Belo Horizonte e Região Metropolitana), 13 já foram detidos. Tivemos a oportunidade de fazer uma escolha e optamos pelo homicida dos dois capitães do Exército, porque foi um crime covarde e bárbaro. Outros dois envolvidos já foram presos", lembrou o delegado. "Em termos de prioridade, ele é o nosso principal alvo. Atuava muito na região da Cidade Alta, mas não era um traficante muito importante. O que pesou mais (para a escolha) foi o homicídio", explicou o coronel Ronaldo. Segundo ele, 3.500 cartazes serão espalhados com a foto do foragido em locais públicos e de grande circulação na cidade.
Antes de Wagner Neves ser colocado como um dos criminosos mais procurados de Minas, a 4ª Risp havia eleito o nome do traficante Marcelo José de Moraes Pinto, 41 anos, o Bozó. No entanto, antes da divulgação, ele foi preso pela Polícia Federal, no final de julho, com mais de R$ 1 milhão em espécie em apartamento de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Disque- Denúncia
O programa "Procura-se" prevê a fixação de cartazes de criminosos foragidos da Justiça, a fim de motivar a população a fazer ligações para o número 181, do Disque-Denúncia Unificado (DDU), para o repasse de informações anônimas. Em Juiz de Fora, de janeiro a julho deste ano, foram recebidas 4.118 denúncias pelo 181, 24% a mais que no mesmo período de 2011, quando houve 3.313 chamados. Desde o lançamento do DDU em Minas, em 2007, mais de 275 mil denúncias chegaram às polícias, resultando na condução de mais de 31 mil pessoas, entre presas, apreendidas e recapturadas (sendo mais de duas mil na cidade), e na apreensão de 17 toneladas de drogas.
Durante a entrevista de ontem, a 4ª Risp, que engloba 1,6 milhão de habitantes em 86 municípios, também apresentou dados de criminalidade dos sete primeiros meses deste ano, comparados com o mesmo período de 2011, provenientes do Centro Integrado de Informações de Defesa Social (Cinds). O levantamento aponta queda de 105 para 91 homicídios na região, com redução de 13,33%, diminuição de 1.337 crimes violentos para 1.306 (-2,32%), e aumento no número de apreensões de armas de fogo de 9,63%, passando de 727 para 797. Levando-se em conta somente Juiz de Fora, o número de assassinatos se manteve o mesmo, sendo contabilizados 24 em cada período, e o de crimes violentos caiu de 618 para 542.
"Os dados dos primeiros sete meses colocam nossa região como uma das primeiras do estado e deixam Juiz de Fora como uma das cidades mais seguras do país", disse o coronel Ronaldo. "Nossos índices de homicídio por cem mil habitantes se comparam aos de cidades do primeiro mundo." Já conforme levantamento feito pelo banco de dados da Tribuna, até ontem, já haviam ocorrido 46 mortes violentas no município este ano.
