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Menos da metade das crianças de JF são alfabetizadas na idade certa

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Menos da metade das crianças da rede municipal de ensino de Juiz de Fora foram alfabetizadas na idade certa no ano passado. Os dados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgados na última sexta-feira (11) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam que a cidade atingiu 49,55% de alunos aptos ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2024, batendo a meta do município (49,46%), mas ficando abaixo das médias estadual (72,07%) e nacional (59,2%).

Além disso, Juiz de Fora teve o pior resultado entre as dez maiores cidades do estado, ficando atrás de Montes Claros (75,18%), Divinópolis (73,79%), Contagem (69,05%), Belo Horizonte (68,58%), Governador Valadares (68,07%), Betim (66,62%), Uberlândia (62,63%), Ribeirão das Neves (59,36%) e Uberaba (57,68%). O ICA corresponde ao percentual de estudantes matriculados no 2º ano do ensino fundamental com o padrão nacional de alfabetização, estabelecido pela pesquisa Alfabetiza Brasil. O indicador é calculado com base nos resultados das avaliações da alfabetização, conduzidas pelos sistemas estaduais, como parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). O objetivo é alcançar 64% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025 e chegar a 80% em 2030.

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De acordo com o Ministério da Educação (MEC), dois milhões de alunos de 42 mil escolas, em 5.450 municípios, participaram do estudo. Entre as 5.312 cidades avaliadas em 2023 e 2024, 58% (3.096) aumentaram o percentual de alunos alfabetizados e 53% (2.018) alcançaram a meta. Entre os estados, onze atingiram a expectativa, e 18 avançaram nos resultados. O Ceará teve o melhor percentual de alfabetização até o fim do 2º ano em 2024, chegando a 85,3%, acima da meta de 80% estabelecida para 2030. Goiás aparece na sequência (72,7%), seguido por Minas Gerais, Espírito Santo (71,7%), e Paraná (70,4%).

Questionada sobre o resultado, a Secretaria de Educação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) reconhece a relevância dos dados divulgados. “Os resultados apresentados representam uma ferramenta importante de acompanhamento das políticas públicas de alfabetização, conforme previsto no CNCA, coordenado pelo MEC. Em Juiz de Fora, embora o índice de 49,5% de crianças alfabetizadas na idade recomendada esteja abaixo das médias nacional e estadual, ele supera ligeiramente a meta pactuada para o município em 2024, de 49,46%”, observa.

A PJF reforça que o ICA considera os resultados das avaliações estaduais. Em Minas Gerais, esse monitoramento é feito pelo Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), que integra o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). “Em 2024, 79% dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental da rede municipal participaram da avaliação, atingindo uma média de 524 pontos de proficiência. Esse desempenho coloca o município no intervalo recomendado da escala (451 a 600 pontos), correspondente ao nível esperado para essa etapa, em que os estudantes demonstram habilidades essenciais de leitura e compreensão textual.”

Ainda conforme a Secretaria de Educação, entre os mais de dois mil estudantes avaliados em 2024, 1.535 estavam no intervalo recomendado, 361 no nível avançado, 307 no intermediário e 32 no nível baixo. “Esses dados mostram que a maioria das crianças desenvolveu competências fundamentais no processo de alfabetização, embora o município ainda precise ampliar o número de estudantes no padrão considerado avançado, definido a partir de uma média de 743 pontos de proficiência”, avalia a pasta.

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Para a PJF, a análise da série histórica demonstra um avanço contínuo nos indicadores da rede municipal. “A média de proficiência passou de 486 pontos, em 2022, para 519, em 2023, e 524, em 2024. O número de estudantes com baixa proficiência caiu de 97, em 2022, para 51, em 2023. Já o contingente com desempenho avançado cresceu de 182, em 2022, para 332, em 2023, e 361, em 2024. Esses resultados apontam para um processo em curso de recomposição das aprendizagens e de fortalecimento da alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental.”

PJF garante acompanhamento contínuo das escolas para alfabetização

A Secretaria de Educação da PJF afirma direcionar suas ações à qualificação das práticas pedagógicas e fazer acompanhamento contínuo das escolas, com foco na melhoria da alfabetização na idade certa. “Uma das principais medidas adotadas foi a reformulação do Programa Pró-Aprender, com base em diagnósticos construídos em diálogo com as equipes escolares. Técnicas da secretaria têm realizado visitas semanais às unidades, com o objetivo de apoiar e acompanhar de forma direta a execução das estratégias de recomposição das aprendizagens desenvolvidas por professores e coordenações pedagógicas. Além disso, estão sendo promovidas oficinas de formação com direções, coordenações escolares e a equipe do Pró-Aprender, voltadas à análise e interpretação dos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, do MEC, e do Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (Simave), da Secretaria de Educação de Minas Gerais, com o intuito de fortalecer a leitura crítica dos indicadores e seu uso como ferramenta de planejamento pedagógico.”

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A rede municipal “reitera a defesa e adoção de uma política pedagógica que respeita os direitos das crianças à aprendizagem e compreende a alfabetização como um processo que envolve a apropriação crítica da linguagem e a capacidade de interagir com o mundo com autonomia e participação”. Segundo a Secretaria de Educação, a consolidação da base alfabética até o final do 2º ano é entendida como uma etapa essencial para o percurso escolar, “o que demanda o envolvimento articulado de todos os sujeitos da comunidade educativa, numa perspectiva coletiva e corresponsável”.

 

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