Os alunos dos programas de pós-graduação de Minas Gerais que recebem bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) estão sem saber como irão pagar seus gastos mensais. Os repasses estão atrasados desde o início do mês. Como a dedicação exclusiva é uma exigência do órgão, o auxílio é a única fonte de renda desses pesquisadores. Uma carta aberta à fundação foi elaborada pelos alunos para cobrar providências. Entre as reivindicações estão o acerto imediato das bolsas em atraso, pontualidade no repasses, regularização do doutorado sanduíche e disponibilidade de telefones para contato direto. Atraso semelhante ocorreu em abril do ano passado.
O doutorando do curso de história da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Luiz Fernando Lopes, mora de aluguel em Juiz de Fora. Ele conta que teve que pedir ajuda a familiares para pagar o aluguel. “Mas vai ter outras contas que vou ter que pagar multa porque não tenho como arcar com tudo sem a bolsa.” Segundo relata ele, outros pesquisadores sofrem com atrasos recorrentes desde o fim do ano passado. Já a mestranda Laiz Perrut, do curso de história da UFJF, está preocupada com o desenvolvimento da sua dissertação. “Minha pesquisa é realizada no Rio, preciso viajar para lá com frequência para consultar alguns arquivos da cidade, mas sem a bolsa, eu não tenho como me deslocar. Isso gera atraso na pesquisa, e os bolsistas têm prazos rígidos para defender a tese.”
A assessoria da Fapemig informou que aguarda a publicação do decreto orçamentário da fundação. No entanto, disse que não há previsão de quando o orçamento será aprovado. A assessoria do Governo enfatizou que autorizou a liberação de R$ 456 milhões para o órgão de fomento. “O orçamento estadual de 2015 foi sancionado na última sexta-feira (10/04), portanto, estes recursos começam a ser liberados já nos próximos dias”, diz a nota.
