
Barranco cede nos fundos de uma casa
Permanecem interditadas pela Defesa Civil quatro moradias na Rua Rosa Sfeir, Bairro Grajaú, Zona Leste. As famílias tiveram que deixar o local em janeiro, quando um barranco, em terreno público, começou a ceder e atingir a via, que está com o trânsito impedido para passagem de veículos. Moradores denunciam que a situação piora a cada temporal, pois uma grande quantidade de terra da encosta cai sobre a rua, provocando transtornos. O aposentado Joaquim Domingos da Silva, 77 anos, que vive na Rua Miguel Jacob – via acima da Rosa Sfeir -, denuncia que os transtornos começaram em dezembro, quando técnicos da Secretaria de Obras retiraram terras do barranco nos fundos de seu terreno. "Uma das minhas casas está interditada porque fica bem na ponta da ribanceira." A Tribuna esteve no local e observou a destruição nos fundos das casas da Rua Rosa Sfeir, além de identificar que ainda existe água, provavelmente de esgoto das casas de cima, caindo na terra úmida.
No caso considerado mais crítico, a assistente administrativa Maria Auxiliadora, 54 anos, teve que deixar a casa, número 375, comprada há dois anos, e se mudar para um apartamento alugado com os dois filhos, na Avenida Sete de Setembro. Além do aluguel, ela continua obrigada a pagar o financiamento do imóvel, sem receber ajuda de custo do Poder Público. "Minha renda não é compatível para ser beneficiada com o auxílio aluguel."
"O que hoje é um barranco prestes a desabar, antes era uma grande área verde, com muitas árvores. Em janeiro do ano passado, caiu uma parte. Entrei na Justiça contra a Prefeitura, e a juíza determinou que fosse feito um muro de contenção, o que não foi acatado", lamenta Maria Auxiliadora. Ela ainda afirma que a Secretaria de Obras, em setembro de 2010, esteve no local e apenas jogou cimento puro em cima da terra. Em janeiro, a terra voltou a ceder, e os moradores da Rosa Sfeir tiveram que deixar suas casas.
De acordo com a assessoria da Secretaria de Obras, é arriscado fazer intervenção naquele barranco durante o período de chuvas. A construção do muro de contenção está programada para maio e, assim que concluído, as famílias poderão voltar para suas casas. A informação é de que há dois problemas distintos: o escorregamento de talude, na parte de baixo, e a trinca em parede, em todo o terreno. Esse primeiro já teria sido resolvido (com a colocação do cimento), e, agora, o problema se agrava devido ao grande número de trincas na encosta.
No caso do escoamento de água das residências sobre o barranco, a Cesama, através da assessoria, disse que vai orientar os moradores sobre os riscos desta atitude. Também foi explicado que a rede de captação pluvial da região está enterrada sob escombros e precisou ser desviada. Por isso, a Rua Miguel Jacob sofre com alagamentos sempre que chove. O serviço de recuperação deve ser feito após a conclusão dos trabalhos da Secretaria de Obras.
Outras ruas com problemas
De acordo com dados obtidos pela Defesa Civil, além da Rua Rosa Sfeir, outras duas vias estão com o trânsito de veículos interditado devido à ameaça de escorregamento de talude. Uma delas é a Rua José Inácio Trindade, conhecida como Leito da Leopoldina, no Bairro Ladeira. Há cerca de 20 dias, parte do asfalto cedeu e atingiu os fundos de uma oficina mecânica, na Rua Henrique Vaz. Moradores disseram que transtornos como esse são registrados há anos, mas, desta vez, houve a queda de parte do asfalto.
O soldador Edson Teixeira, 36, afirma que, com a interdição da rua, o serviço de coleta de limpeza ficou comprometido. "Também falta capina na área, infelizmente vivemos em meio a esta sujeira", lamenta. Sua casa fica há cerca de dois metros da margem do barranco. Apesar disso, ele não teme que a situação se agrave. "A Defesa Civil disse que agora está estabilizado, mas aguardamos as obras."
Outra rua conhecida por problemas de infraestrutura e ameaça de desabamentos é a Edgard Carlos Pereira, no Santa Tereza. Há três anos, uma grande queda de barranco colocou em risco vários imóveis na área, fazendo com que muitos moradores desistissem de morar no local. Segundo a Secretaria de Obras, os dois problemas mencionados serão resolvidos no segundo semestre, após o processo de licitação para escolha da empreiteira responsável pela realização da obra. Os recursos para isso virão do Governo Federal.

