
Detritos recolhidos foram levados para análise no depósito do Demlurb
Um estudo, que está sendo realizado pelo Demlurb, deve apontar quais tipos de lixo os juiz-foranos produzem em maior quantidade e quais regiões emitem resíduos com maior potencial reciclável. Na análise, chamada de levantamento gravimétrico, os materiais estão sendo separados em 17 tipos, como garrafas PET, papelão, tetra pak, metal ferroso e vidro. O levantamento teve início na última terça-feira, e a previsão é de que seja finalizado ainda neste mês. Após essa etapa, será feito um diagnóstico social das associações para as quais o lixo é destinado. "Com esses dados, vamos desenhar o melhor modelo de coleta seletiva para Juiz de Fora", explica o analista ambiental Diogo Caiafa, do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), programa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
Segundo o geógrafo do CMRR Robson Fagundes, os benefícios da coleta seletiva para a população. "Ela diminui o custo da Prefeitura com logística, ajuda na preservação dos recursos naturais, auxilia na inclusão socioprodutiva e aumenta a vida útil do aterro."
Em Juiz de Fora, a julgar pelos primeiros resultados obtidos, um percentual de aproximadamente de 30% do lixo é reciclável. Conforme Fagundes, "aumentando a coleta seletiva, aumenta-se o volume de material e, consequentemente, o emprego, o que melhora a situação social de quem trabalha com o lixo".
Para o estudo gravimétrico, estão sendo colhidas amostras aleatórias de sete bairros. Até agora, foram analisados os resíduos do Santa Rita, na região Leste, São Mateus e Bom Pastor, na Zona Sul, Lourdes e Olavo Costa, na região Sudeste. Na próxima semana, será analisado o Bairro Benfica, na Zona Norte. O Centro encerra o levantamento.
Caiafa ressalta que uma ação simples da população pode otimizar o trabalho das associações que reciclam o material. "As pessoas só têm que separar o seco do úmido. Não é preciso separar plástico, de papel e de vidro. Esse trabalho as próprias associações fazem."
A presidente da Associação de Catadores de Juiz de Fora (Ascajuf), Maria Aparecida de Oliveira, conta que quando a população separa o material úmido do seco, a associação recebe menos rejeitos e mais material reciclável, o que garante o aumento do lucro. Ela afirma que o estudo possa melhorar a renda dos catadores.
Conforme Maria Aparecida, as garrafas PET são o material mais lucrativo. Já o alumínio é guardado para que os associados tenham um renda extra no fim do ano, como um décimo terceiro salário. Ela aproveita para lembrar a população dos cuidados necessários com o lixo hospitalar. "Quem tem doente em casa, não deve colocar seringas e agulhas junto ao lixo reciclável, pois esses materiais oferecem risco à nossa saúde."

