
Mulher dormia em um colchonete em corredor sem iluminação
A Polícia Civil localizou nesta quinta-feira (16) uma empregada doméstica, 46 anos, que estaria vivendo sob regime de trabalho escravo. A suspeita é de que ela seria maltratada e mantida em cárcere privado por uma mulher, de 60 anos, no Bairro São Bernardo, Zona Sudeste. Na residência onde a vítima foi encontrada, na Rua Maranhão, os policiais da 6ª Delegacia Distrital encontraram uma situação que qualificaram como deplorável, uma vez que a mulher estaria vivendo de forma desumana, dormindo em um colchonete em um corredor sem iluminação numa parte externa do imóvel. Os investigadores ainda se depararam com uma geladeira trancada com corrente e cadeado, com o intuito de impossibilitar que a doméstica se alimentasse. As roupas dela estavam em uma cômoda no terraço, onde ficava o cachorro da família. A vítima foi levada para a delegacia, no Bairro de Lourdes, em estado debilitado e contou que só podia se alimentar uma vez por dia. Além disso, alegou que apanhava e recebia ameaças se quisesse sair de casa.
O caso veio à tona porque policiais estiveram no São Bernardo para cumprir um mandado de prisão preventiva contra o filho da suspeita, um homem de 40 anos, que, apesar de uma medida protetiva, estaria fazendo ameaças de morte contra a esposa. Segundo o delegado Carlos Eduardo Rodrigues, responsável pelo flagrante, no local, ao verem os investigadores, vizinhos teriam denunciado o caso de maus-tratos, pois ouviam, de dentro da casa, gritos de socorro e gemidos de dor.
A suspeita foi ouvida pelo delegado e negou os fatos, mas foi indiciada por maus-tratos qualificado e cárcere privado, que prevê pena de cerca de dez anos de prisão. A mulher foi encaminhada à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Um laudo pericial na residência onde estava a vítima constatou as condições em que era mantida. Ela ainda foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML), que confirmou diversas lesões, por meio contundente e bioquímico (inanição), por meio insidioso (cárcere privado com impossibilidade de defesa da vítima) e meio cruel.
Guarda temporária
Policiais relataram que, ao chegar à delegacia, a vítima manifestou que tinha o sonho de comer bolo, o que foi providenciado para ela, além de um almoço. Depois de prestar depoimento, ela foi encaminhada pelo Resgate ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), a fim de que pudesse receber o tratamento necessário. Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Saúde informou que a empregada passava por avaliação clínica e psiquiátrica e apresentava um quadro de confusão mental. O delegado Carlos Eduardo afirmou que foi localizado, na casa, um documento, que aponta que a suspeita tinha a guarda temporária da vítima, uma vez que ela sofre de transtornos psíquicos. Entretanto, era datado de 1998 e tinha prazo de validade por 90 dias. A patroa também era quem recebia uma pensão do INSS em nome da doméstica. "Tanto a questão da pensão quanto o processo de curatela serão investigados. Também vamos apurar se outras pessoas maltratavam a vítima, já que ela relatou que não apanhava apenas da patroa", afirmou o delegado. A Polícia Civil também fez contato com a Prefeitura de Juiz de Fora a fim de providenciar um abrigo para a vítima e prestar atendimento psicológico. O filho da suspeita foi encaminhado para o Ceresp em função do cumprimento do mandado de prisão.

