A preocupação com o aumento de notificações de febre amarela na região Leste de Minas Gerais já acende um alerta na população em torno da doença. De acordo com o último boletim epidemiológico, já são 133 casos suspeitos, sendo que desses 20 são casos prováveis, com registro de dez mortes. Diante do temor, a procura pela vacinação inclusive já existe em cidades onde não foi registrado nenhum caso, como Juiz de Fora. A Secretaria de Saúde orienta para que a população busque uma unidade de saúde, levando o cartão de vacina para que seja verificado. No caso de a pessoa já ter recebido duas doses na vida, ela já é considerada imunizada, sendo desnecessária nova aplicação.
“É muito importante que as pessoas verifiquem o cartão de vacinação, não somente para a febre amarela, mas também para outras vacinas. E também não somente crianças precisam se vacinar, é necessário que adultos estejam atentos. Outra coisa importante é ficar atento aos vetores da doença. No meio urbano, a transmissão se dá pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue, chikungunya e o zika vírus. No meio rural, a transmissão é feita pelo Haemagogus e o Sabethes. Desde 1942, não temos casos urbanos, e é preciso evitar a reurbanização da febre amarela”, explica a chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental (DVEA), Michele Freitas.
As doses são disponibilizadas durante todo o ano nas unidades de saúde. A primeira é aplicada aos 9 meses de idade, com um reforço aos 4 anos. Para indivíduos a partir de 5 anos de idade que receberam uma dose da vacina antes de completar 5 anos, é necessário administrar um reforço a ser avaliado pela equipe de saúde. Já para pessoas que nunca foram vacinadas ou não possuem comprovante de vacinação é necessário administrar a primeira dose da vacina e um reforço após dez anos. Dessa forma, quem já recebeu duas doses da vacina ao longo da vida já pode ser considerado imunizado e não precisa do reforço de dez em dez anos. Para pessoas com 60 anos ou mais, que nunca foram vacinadas, ou sem o comprovante de vacinação, o médico deverá avaliar o benefício desta imunização, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nesta faixa-etária ou decorrente de comorbidades.
Além do aporte de R$ 26 milhões realizados para a região onde a situação é mais grave, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) adiantou o repasse mensal das vacinas para Juiz de Fora, com previsão de distribuição nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (Uaps). As doses também serão disponibilizadas no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente, na Rua São Sebastião 772, e no setor de imunização do PAM-Marechal, na Rua Marechal Deodoro 496, 3º andar. A secretaria lembra que não se trata de uma campanha de vacinação e que somente as pessoas não imunizadas devem receber a dose. O SUS disponibiliza gratuitamente todo o atendimento em prevenção, diagnóstico e de tratamento para doença.
Segundo o Ministério da Saúde, geralmente quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
Mais informações no site do Ministério da Saúde.
