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Jovem baleado diz que não percebeu ferimento

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Uma das balas atingiu o rapaz de 24 anos embaixo do peito esquerdo e transfixou o corpo
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Uma das balas atingiu o rapaz de 24 anos embaixo do peito esquerdo e transfixou o corpo

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Um motoentregador de 24 anos foi baleado durante discussão no trânsito, na noite de segunda-feira (14), no Bairro Cascatinha, Zona Sul. O crime aconteceu nas imediações do cruzamento entre as avenidas Doutor Paulo Japiassu Coelho e Itamar Franco. Segundo a Polícia Militar, três tiros teriam sido disparados pelo motorista de uma caminhonete, supostamente uma Ford Ranger de cor escura. Uma das balas atingiu a vítima embaixo do peito esquerdo e transfixou o corpo, saindo pela mesma lateral do abdômen. A tentativa de homicídio chamou a atenção pela violência em um dos pontos mais movimentados da região, próximo a um shopping, e pela banalidade da motivação, além do risco oferecido a demais condutores e pedestres, que poderiam ter sido alvejados por balas perdidas. A vítima só percebeu que havia sido baleada quando chegou em casa, na Zona Sul, depois de ainda ter feito uma entrega. Ela foi medicada no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e teve alta na mesma noite.

A briga de trânsito ocorreu por volta das 21h, quando o entregador de gás conduzia uma moto Honda e fazia a rotatória no cruzamento entre as duas avenidas para retornar à Cidade Alta. Ele teria tido sua trajetória fechada pela caminhonete, que subia a Itamar Franco e não teria obedecido à sinalização de parada obrigatória. O veículo teria esbarrado no botijão, que era transportado pela moto em um suporte. Diante da situação, o motociclista discutiu com o condutor, que teria sacado uma arma e atirado na direção do motoboy.

"Estava chovendo forte na hora. Eu desci da UFJF e entrei na rotatória do Cascatinha para voltar porque tinha que fazer mais uma entrega no São Pedro. Um rapaz veio com a Ranger e avançou o ‘pare’, batendo no botijão. Desequilibrei e xinguei o motorista. Ele andou uns cinco metros e disparou. Só ouvi o barulho, não senti nada", contou a vítima à Tribuna ontem. O jovem trabalha no depósito de gás da família e havia acabado de fazer uma entrega na Cidade Alta, mas precisou retornar após ser informado por telefone sobre uma nova solicitação. Como ainda estava com um botijão, ele fez a rotatória para seguir direto ao endereço.

Pai de dois filhos, de 6 meses e 6 anos, o jovem já havia voltado a fazer entregas ontem pela manhã, mas optou por acompanhar um condutor em uma picape, já que os ferimentos o impedem de conduzir a moto. Ele contou ter desconfiado na Cidade Alta que pudesse ter sido baleado, mas só constatou o ferimento ao chegar em casa. "Não estava doendo. Quando tirei o jaleco de borracha, que usava por causa da chuva, vi o uniforme do gás sujo de sangue e encontrei as duas perfurações." Apesar de ter transfixado o corpo, o projétil não atingiu nenhum órgão vital da vítima. "Fiquei assustado. Acho que nasci de novo", desabafou.

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O pai da vítima, um comerciante, 52, contou ter orientado o filho a procurar o hospital e registrar boletim de ocorrência. "A esposa dele me chamou. Fui até a casa e vi que a bala havia entrado pela frente e vazado quase nas costas. Graças a Deus não aconteceu coisa pior." Ele disse estar assustado com a violência na cidade. "É complicado, porque só acontece com quem está trabalhando. Ele estava o dia inteiro fazendo entregas e acabou ficando irritado, batendo boca com o motorista. Como foi na hora da chuva, a rua estava menos movimentada, e ele nem conseguiu pegar a placa da caminhonete."

A PM foi acionada por volta das 22h40, quando a vítima já estava no HPS. Viaturas fizeram rastreamento, mas nenhum veículo suspeito foi encontrado, e ninguém foi preso. O caso seguiu para investigação na 1ª Delegacia de Polícia Civil.

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Para a PM, caso é ‘incomum’ na cidade

Apesar de ser um crime raro em Juiz de Fora, o caso do motoentregador, 24 anos, baleado no Cascatinha em briga no trânsito, não é o primeiro a ser registrado no município. Em fevereiro de 2012, um motoboy, 31, foi alvejado na região glútea depois de discutir com outro motociclista no Mariano Procópio, Zona Nordeste. Outros casos de violência no trânsito também chamaram a atenção no ano passado. Em agosto, um motorista de ônibus, 34, atingiu um homem, da mesma idade, com um golpe de canivete em Benfica, Zona Norte. O suspeito foi indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual, já que a vítima teve o pulmão perfurado e ficou 25 dias internada. No mês anterior, um pedestre idoso foi golpeado com um chute no peito pelo motorista de um veículo após discussão no Bairro Santa Helena, região central.

Para o assessor do 27º Batalhão da Polícia Militar, tenente Jean Michel Amaral, o crime no Cascatinha assusta, não só pela banalidade do motivo, mas pelos disparos efetuados em ponto movimentado. "Foi um fato bem incomum e uma situação rápida, difícil de ser evitada. Há tempos não víamos ocorrência semelhante", disse o militar, que esteve à frente do Pelotão de Trânsito por dois anos. "Nada justifica essa atitude do motorista. Vamos ficar atentos a esse modelo de caminhonete", garantiu. Ele lembrou que apesar de as motos serem preferidas por criminosos, veículos de quatro rodas estão sendo usados por eles, inclusive para transporte de entorpecentes. "Estamos fazendo abordagens. No fim de semana, pegamos drogas em dois carros." Ele recomenda paciência diante de desentendimentos no trânsito: "Não se incomode com ameaças e leve desaforo para casa sim, porque podemos encontrar pessoas agressivas e armadas."

 

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