A casa onde houve o soterramento na Rua Benedito Pinto, no Bairro São Mateus, havia sido visitada pela Defesa Civil sete vezes entre os anos de 1996 e 2012. Em todas elas, conforme o órgão, a solicitação partiu dos próprios moradores, preocupados com ameaças de escorregamento de talude. Mesmo assim, as providências necessárias para evitar uma tragédia, conforme orientação dos engenheiros, não foram adotadas. A informação foi dada pelo chefe do Departamento de Operação Técnica da Defesa Civil, Walter de Melo. Ele afirmou, entretanto, que a moradia afetada não fazia parte da relação das 639 áreas de escorregamento mapeadas pelo órgão em Juiz de Fora. Segundo ele, a situação era um fato isolado e não um problema crônico da rua, uma vez que todos os vizinhos já tinham providenciado a estabilização em seus terrenos.
“A Defesa Civil trabalha a partir do acionamento dos próprios moradores. Temos um tipo de vistoria que é chamada de orientação técnica preventiva. Nela, o profissional vai ao local, verifica as patologias e orienta os responsáveis sobre os serviços que devem ser executados. Todas as casas do entorno fizeram estabilizações nas encostas, construindo muros de contenção ou telas argamassadas, feitas por profissionais de engenharia. Fatalmente, só houve o acidente na área onde a correção não foi promovida” informou Walter. Segundo ele, a causa mais provável do desmoronamento é o encharcamento do solo, causando a movimentação da terra e de uma árvore, que estava mais abaixo do talude.
JF tem mais de 700 áreas de risco
A casa soterrada não estava entre as 713 áreas de risco catalogadas pela Defesa Civil em Juiz de Fora. Conforme mapeamento feito, e divulgado em outubro, 639 pontos são de risco de escorregamento, 19 de barragens e 55 de possibilidade de inundações. A Zona Sul é a mais preocupante. Na região, o órgão identificou 299 áreas de risco e outras 206 de alto risco (ver quadro).
O mapeamento é um documento que sofre alterações constantes, a partir do aumento ou diminuição do grau de riscos. Ele é feito a partir de visitas técnicas e preenchimento de uma ficha de caracterização da situação. Cabe ao técnico da Defesa Civil traçar um perfil da área afetada como um todo, reunindo arquivos históricos e até fotografias.
Histórico de ocorrências
Levantamento da Tribuna, a partir de reportagens publicadas, mostra também que pelo menos cinco situações envolvendo desmoronamentos de terra foram registradas na Rua Benedito Pinto entre 2004 e 2009. Na mais recente, um carro foi soterrado e a rua ficou quase toda coberta com lama, após um barranco ter cedido na parte final da rua.
Plano de ação
Em situações como de a de ontem, entra em operação na cidade o Plano de Contingência, que está em vigor desde 2013 e passou por atualização no início deste mês. No entanto, o esquema, que mobiliza diversos órgãos da administração no intuito de minimizar consequências de desastres, não é usado apenas para as chuvas, mas em qualquer ação em que as respostas devem ser dadas no menor espaço de tempo possível. Um exemplo dado pela própria Defesa Civil foi a explosão de um paiol da Imbel, que resultou em diversas casa danificadas no Bairro Industrial, em agosto.
