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Abandono e degradação em praças da cidade

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Com obras orçadas em R$ 122 mil, a Praça Padre Léo, no Bairro Bonfim, região Leste, ainda nem foi inaugurada, mas já apresenta falhas na construção. O espaço, que fica entre as ruas Barão do Retiro e Professor Francisco Faria, começou a ser erguido em março deste ano e deveria ter sido concluído até o final de setembro, de acordo com a placa que está no local. O piso está quebrado, muros que cercam a quadra de areia estão rachados e há restos de obras espalhados. Nas três vezes em que a Tribuna esteve na área, na semana passada, crianças foram vistas brincando em lugares perigosos, e não foram encontrados servidores trabalhando para a conclusão das obras. Ontem, ao voltar à praça, o jornal observou que havia funcionários colocando tapumes no entorno. Ouvida na última terça-feira, a assessoria da Secretaria de Obras havia respondido, por meio de nota, que a estrutura de proteção tinha sido removida por "pessoas que queriam usar o local antes mesmo da entrega do serviço". Embora o problema chame atenção por causa do desperdício com o dinheiro público, a praça não é a única com falhas identificadas pela cidade, principalmente nos bairros, onde a situação é mais grave que na área central. A reportagem percorreu diversas regiões, e encontrou áreas degradadas e tomadas pela sujeira, com brinquedos quebrados e pichações.

Conforme a Prefeitura, em nota divulgada em agosto, no caso do Bonfim, o espaço deveria conter área de lazer de quase dois mil metros quadrados, com quadra de areia, pista de skate, playground, mesa de jogos e jardins. Uma das maiores preocupações da comunidade é com um afundamento do piso na quadra. Segundo a população, o temor se dá por causa de um córrego no subsolo, responsável por coletar o esgoto de diversos bairros da região Leste. "É o reflexo de um serviço mal feito. O pior é ver as crianças brincando aqui. Se nada for feito, um dia acontece um acidente", lamenta o aposentado José Geraldo da Silva, 67 anos.

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Nenhum equipamento previsto está concluído, e pichações já podem ser encontradas no entorno, mostrando também a falta de conscientização com o espaço público. "Está abandonada. A sujeira é formada por lixo, jogado pela população, e restos da obra. É uma vergonha com o nosso dinheiro", denuncia o pintor Paulo Roberto Janonelo, 42.

 

Pista de skate

Outro equipamento prejudicado com afundamento do solo é a pista de skate. Moradores denunciam que um grande buraco se abriu no meio do aparelho devido a uma tubulação que passa de água de esgoto que passa logo abaixo. "Queremos a demolição para que uma nova pista seja feita. É um descaso porque parece não ter havido planejamento ou estudo do solo", diz o estudante Rodrigo Caetano, 27.

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De acordo com a assessoria da Secretaria de Obras, o piso está rachado e afundando devido a "uma erosão no espaço ocasionada pelo abatimento no tubo ármico usado para canalizar parte do córrego". Esta intervenção teria acontecido em 1995 e, conforme a Secretaria de Obras, há necessidade de correção do problema. A informação da assessoria é que os tapumes estão sendo recolocados, para que os reparos sejam concluídos, e a praça entregue à comunidade. Não foi divulgado prazo para conclusão.

 

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Sujeira piora quadro e aumenta preocupação

Outras praças da cidade, sobretudo situadas na periferia, também estão abandonadas, provocando a preocupação de moradores. Na Praça Francisco Bellei, Bairro Jardim do Sol, região Sudeste, a sujeira chama a atenção de quem passa. Conforme a funcionária de uma banca de revistas instalada no espaço, Carmen Silvia Medeiros, 49 anos, a Prefeitura realiza limpeza no local no máximo uma vez ao mês, o que, segundo ela, não seria suficiente. "O pior é que não tem sequer uma lixeira na praça. Isso piora a situação."

Além da sujeira, a estrutura física está comprometida. Dos três balanços do parquinho, apenas um está com correntes. Uma das mesas de xadrez está quebrada, e o piso completamente rachado, além de as cercas entre os brinquedos estarem quebradas.

A situação também é preocupante na Praça Dr. Antônio Carlos Pereira, no Bairro Santa Tereza, região Sudeste. Segundo um morador, que preferiu não se identificar, 20 andarilhos podem ser vistos frequentemente no local. "É uma vergonha termos que conviver com esta situação. A suspeita é que eles utilizam drogas e usam o local como ponto de prostituição. De manhã, até banho eles tomam, em um latão improvisado." Na segunda-feira, a Tribuna esteve no local e identificou alguns moradores de rua no espaço. Muitos cobertores, papelões (utilizados como forro para cama) também podiam ser vistos. A sujeira e o mato alto completavam o cenário do local.

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Na Zona Sul, a Praça Jarbas de Lery, no Bairro São Mateus, também é reflexo do descuido e falta de conscientização de moradores. Neste local, a falta de lixeiras (algumas estão quebradas) colabora para o acúmulo de lixo. Também há áreas pichadas. As grades que separam o parquinho e a quadra estão danificadas, e há pedras portuguesas soltas, sendo que muitas delas estão jogadas na areia onde as crianças brincam. Em cantos mais isolados, os problemas são outros: o forte odor de urina e a presença de fezes, atraindo moscas e insetos. Conforme a professora de artes Maria Fátima de Toledo, que também é síndica de um dos condomínios próximos à praça, os problemas se alastram há mais de um ano sem providências.

 

Manutenção

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A Secretaria de Obras, por meio da assessoria de comunicação, informou que a Empav trabalha atualmente na manutenção de aproximadamente 250 praças e logradouros do município. O processo já teria sido concluído em 19 praças, como as dos bairros Mundo Novo, Industrial, Jóquei Clube II, Vitorino Braga, Bandeirantes, Vila Ideal, entre outras.

A previsão da Empav é de revitalizar ou realizar trabalhos de manutenção nos espaços denunciados pela Tribuna, dependendo da situação de cada local. A expectativa é de que as intervenções aconteçam em, pelo menos, três praças por mês, ao mesmo tempo em que se realizam trabalhos pontuais em outros, de acordo com a prioridade.

 

Situação colabora para deteriorar o entorno

Na opinião do presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), núcleo Juiz de Fora, Marcos Olender, os problemas apresentados contribuem para o abandono destes espaços públicos. Ele entende que faltam atrativos nas praças, pois a população precisa se sentir estimulada a frequentar estes locais. "Todos os problemas identificados refletem a falta de atuação do Poder Público. Falta uma política social para retirar os moradores de rua. É necessário também criar uma programação cultural para os locais, mas para isso a manutenção e os problemas estruturais precisam ser resolvidos."

Olender também afirma que o abandono das praças colabora para a construção da paisagem urbana. "Acaba degradando toda aquela comunidade. O morador também se fecha para o problema, fica mais dentro de casa e evita ir a estes locais. É ruim para todos. É claro que ninguém vai querer utilizar praças abandonadas e mal frequentadas. Precisa de atrativos", conclui.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Assistência Social (SAS), existe no município um serviço de abordagem ao morador em situação de rua. Sempre que acionado, técnicos vão ao local e tentam encaminhar as pessoas para os programas sociais da Prefeitura. O telefone de contato, para solicitar a abordagem, é o 3690-7071.

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