
Quantas vezes aquela tampa de bueiro na sua rua já esteve quebrada? Ou quantas vezes já picharam o muro da praça que acabou de ser pintado? Quantas enxurradas deixaram alagada a sua rua devido ao entupimento de uma canaleta? Problemas de conservação de equipamentos públicos são identificados e denunciados diariamente por moradores em toda a cidade. Na semana passada, a ponte da Avenida Rui Barbosa, no Bairro Santa Terezinha, teve seu parapeito quebrado, dias depois de uma intervenção de reforma. No Bairro Granbery, na região central, uma boca de lobo na esquina das ruas Barão de Santa Helena e Sampaio chegou a ser quebrada por duas vezes em menos de três meses. Já na esquina entre as ruas Carlos Alberto da Silveira e Casimiro de Abreu, no Bairro Nova Era, Zona Norte, a frequente manobra de caminhões faz com que tampas de bueiros sejam quebradas com certa frequência. Em outro ponto de constante movimentação de caminhões de distribuidoras, na esquina entre as ruas Severiano Sarmento e Dom Viçoso, no Alto dos Passos, uma tampa de boca de lobo já foi substituída oito vezes nos últimos meses. Além deles, prédios públicos, como o da Escola Estadual Delfim Moreira, recentemente pintada, já foram novamente pichados. Isto significa tempo e dinheiro público jogados fora.
Coisa pública
Para além da necessidade de constantes reparos dos equipamentos, chama atenção o descuido com a coisa pública. No caso da ponte de Santa Terezinha, por exemplo, a soma do custo da recente restauração com o valor que será necessário para reparar o estrago gira em torno de R$ 45 mil. A Prefeitura inclusive tentará identificar o responsável para que pague com os custos do conserto. Pensando sobre a intensa demanda por troca de tampas de bueiros, bocas de lobo e lixeiras em ruas, entre outros, muitas vezes não se leva em conta também o custo de produção de tais materiais, implicando em mais gastos aos cofres públicos.
Segundo o secretário de Obras, Amaury Couri, o custo de uma tampa de boca de lobo chega a R$ 230, enquanto uma grade varia entre R$ 150 e R$ 200. Contabilizados os números de intervenções feitas em um mês, que podem chegar a 268, esse número pode ser expressivo. Já o Demlurb mensura uma perda de lixeiras por vandalismo que chega a dez unidades por mês, sendo R$ 108 o custo de cada uma, afora os gastos com instalação, combustível, funcionários e os suportes para os equipamentos. As depredações ocorrem com maior intensidade na região central e, principalmente, aos finais de semana.
Os valores podem ser ainda mais impactantes quando gastos de forma recorrente nos mesmos pontos, principalmente se considerado o período de baixa arrecadação, em que o Município opera com um financeiro que atende a apenas um terço do necessário para suprir toda a demanda. Segundo Couri, desde 2015, o valor mensal para a manutenção é de R$ 220 mil, número reduzido diante de toda a atividade que compreende a manutenção: limpeza de boca de lobos, manutenção de redes de drenagem, escadões, confecções de muro de contenção, entre outros.
Casos recorrentes pela cidade
Chefe do Departamento de Operação e Manutenção de Obras, Domingos Sávio Vaz de Melo Gouvêa explica que danos a equipamentos públicos ocorrem tanto por descuido dos próprios cidadãos, quanto por vandalismo. Segundo ele, há casos recorrentes, como de bocas de lobo regularmente trocadas nos mesmos lugares. “Em locais onde existe algum movimento de caminhões de prestadores de serviço, material de construção, alimentos, é muito comum. As ruas são estreitas, o motorista não tem a preocupação de fazer duas ou três manobras e prefere subir no passeio. A tampa não é feita para suportar grandes cargas. Muitas vezes, o motorista causa o problema e vai embora, não se preocupa nem mesmo em comunicar”, relata.
Em outros momentos, a questão do vandalismo se torna preponderante, especialmente para a venda dos materiais usados. “Fizemos um acesso entre a Vila Ideal e o Bom Pastor e colocamos uma proteção com tubo galvanizado, separando a via do barranco. O pessoal quebrou a mureta de concreto para roubar os tubos, que podem ser utilizados para vender para ferro-velho. Além disso, há o vandalismo do quebrar por quebrar. Como não se tem um registro, não há como buscar a pessoa para se questionar. São inúmeros casos e nem sempre temos contingente necessário para fiscalizar este tipo de depredação”, afirma Domingos.
Descaso com bens danificados
Especialista na área de urbanismo, a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do CES/JF, Renata Goretti, explica sobre a necessidade de as pessoas zelarem pelo bem público, a fim de se minimizar custos com a manutenção recorrente. Ela diz ainda ser preocupante a ausência do sentimento de se pertencer à cidade em que se vive. “As pessoas tendem a achar que, como o espaço é de todo mundo, não pertence a elas. De que não é preciso se preocupar. Achar que se pode jogar lixo no chão porque alguém vai limpar a calçada. E não é bem assim”, afirma. Ela ainda explica que há um consenso de que as pessoas deixam de cuidar de um bem quando ele já está danificado.
A pesquisadora destaca que o orçamento para manutenção nem sempre é generoso e cabe, portanto, o bom senso no cuidado. “São gastos recursos que poderiam estar sendo utilizados em outras coisas. A Prefeitura não costuma ter uma verba de manutenção tão generosa. Nem para as outras funções básicas que a cidade tem que oferecer, já não tem. Se há um sobregasto com manutenção, a gente nunca vai ter uma cidade que a gente quer.”
O secretário de Obras, Amaury Couri, completa que o ônus gerado por tais depredações não impacta somente ao Poder Público. “Isso acaba prejudicando outras pessoas, a gente poderia atender pelo menos 50% a mais do que a gente atende hoje. As pessoas devem ter a consciência de que não é por causa da Prefeitura, mas para não prejudicar as outras pessoas que podem estar sendo atendidas caso não haja essa depredação. A responsabilidade é de todo mundo”, analisa.

