
Facão teria sido apreendido com homem de 28 anos
Atualizada às 18h36
A detenção de um flanelinha, 28 anos, realizada por um delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, 39, no final da manhã desta terça-feira (15), causou tumulto no Bairro São Mateus, Zona Sul. Comerciantes e moradores da região da Rua Comendador Francisco Brandi ouvidos pela Tribuna afirmaram que o policial, que estava de folga, teria chegado a realizar dois disparos de arma de fogo para o chão. Ao ser questionado pela reportagem, no entanto, o delegado não confirmou as informações. "Só prendi o homem que tentou me assaltar", afirmou. Entretanto, conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o flanelinha relatou que o delegado, no momento em que o abordava, efetuou dois tiros. A ocorrência mobilizou, pelo menos, três viaturas da Polícia Militar, que foram deslocadas para o endereço após denúncia de disparos em via pública. Ninguém ficou ferido.
Segundo informações do documento policial, o delegado havia deixado a filha para uma consulta médica e, quando estava manobrando o carro, foi abordado pelo suspeito, que teria pego no punho de um facão que estava em sua cintura e anunciado o assalto. Ainda conforme o registro policial, o motorista conseguiu arrancar com o veículo, impedindo o roubo, e seguiu para o posto da PM no São Mateus, onde forneceu os dados para o registro da ocorrência de tentativa de assalto. A suspeita era de que o homem armado com faca havia fugido pela Avenida Itamar Franco e entrado na Rua Santo Antônio. Ao sair do posto, entretanto, o delegado retornou à Francisco Brandi e viu novamente o suspeito da tentativa de assalto. O homem foi abordado pelo policial e contido no local até a chegada da PM. Um facão que, conforme policiais militares, estaria dentro de uma bolsa pertencente ao suspeito, foi apreendido. O homem se apresentou à PM como flanelinha e disse que apenas havia pedido ao policial para tomar conta do carro dele. O boletim de ocorrência também apresenta o relato de uma testemunha que trabalha perto do local dos fatos, afirmando ter ouvido dois estampidos semelhantes a disparos de arma de fogo. Quando questionado pela PM, o delegado negou ter efetuado tiros.
"Este guardador atua nesta área há muitos anos e nunca nos trouxe transtornos. Jamais soubemos de casos de ameaça ou coação. Temos uma relação amistosa, e alguns comerciantes, inclusive, fornecem lanche a ele", disse um homem que vive no local há 15 anos e pediu para não ser identificado. O caso foi encaminhado para o plantão da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, onde todos os envolvidos iriam prestar depoimento. Até o início da noite desta terça, a ocorrência ainda não havia sido concluída.

