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Coleta noturna ainda causa transtornos

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Motoristas formam fila atrás de caminhão
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Motoristas formam fila atrás de caminhão

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Implantada há mais de dois anos, a coleta noturna de lixo ainda não está equacionada em Juiz de Fora e continua sendo alvo de críticas da população. O horário alternativo tem como objetivo otimizar o uso dos caminhões do Demlurb e reduzir o impacto desses veículos no trânsito, já saturado em determinados corredores e nos horários de pico. No entanto, uma das principais queixas da população é justamente que os veículos usados no serviço estão provocando retenções. Atualmente, 40% do recolhimento domiciliar de lixo são realizados após às 18h, concentrando-se, principalmente, na região central da cidade.

Apesar das queixas, o diretor operacional do Demlurb, Paulo Delgado, argumenta que os caminhões de lixo normalmente não atrapalham o tráfego. Ele afirma ainda que, quando a situação acontece, é por um curto período de tempo. "O trânsito está desta forma por causa do grande volume de carros. Vemos que existem outras irregularidades que prejudicam muito mais. Este serviço (recolhimento de lixo) é essencial. Então é preciso paciência por parte da população."

Enquanto os condutores cobram mais flexibilidade de alguns motoristas do Demlurb, o diretor operacional do departamento argumenta que a coleta noturna veio para melhorar alguns fatores, mas afirma que é complicado manter profissionais trabalhando durante toda a madrugada. "Se colocamos o caminhão para passar mais tarde, os moradores reclamam por causa do barulho." Ao todo, o Demlurb tem 22 caminhões de lixo à seu serviço, sendo que, deste total, apenas seis circulam nas ruas centrais.

 

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Passagem obstruída

Acompanhando os trajetos da coleta noturna de lixo em importantes vias da cidade, a Tribuna presenciou momentos em que os motoristas prejudicavam o fluxo, mesmo quando havia possibilidade de estacionar o caminhão. As situações não ocorrem apenas no horário do rush. No dia 5 de setembro, por exemplo, na Rua Santa Rita, um caminhão ficou mais de 20 minutos parado no meio das pistas. A situação aconteceu por volta das 20h30, entre as Rua Batista de Oliveira e Avenida Rio Branco, provocando uma fila de carros. Mesmo tendo espaço disponível para estacionamento no local, o motorista obstruiu o tráfego.

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No mesmo dia, a equipe de reportagem acompanhou o itinerário de um caminhão ao longo da Rua São Mateus, bairro homônimo, que, por volta das 19h45, chegou ao cruzamento com a Rua Oswaldo Aranha, momento em que o trânsito na via ainda era intenso. Ao passar a Praça Jarbas de Lery Santos, cerca de dez minutos após o início dos trabalhos, houve engarrafamento. Nesse trecho, onde a pista é de mão única, os carros precisavam aguardar a liberação do fluxo oposto, para ultrapassar o caminhão e seguir o trajeto. Pouco antes de o caminhão atingir a Rua Gustavo Freire, o trânsito parou novamente, e os carros aguardaram por cerca de dez minutos enquanto os garis realizavam o trabalho de recolhimento. Também na noite do dia 5 de setembro, próximo à esquina com a Rua Coronel Pacheco, a equipe de reportagem presenciou outra situação. Rastros de sujeira e sacos de detritos ficaram espalhados pela via após a passagem do caminhão. "Muitas pessoas não acondicionam o lixo da forma correta, e contribuem para a sujeira da rua", argumenta Paulo Delgado.

Nas ruas Benjamin Constant, Centro, e Bernardo Mascarenhas, Bairro Fábrica, o problema se repete. A Tribuna presenciou o trabalho dos garis na Benjamin no dia 6 de setembro, quando condutores tiveram que esperar cerca de 20 minutos no trânsito por causa do caminhão. O fato ocorreu entre 21h30 e 22h, no trecho entre as ruas Santo Antônio e Tiradentes. Já na Bernardo Mascarenhas, um leitor, que preferiu não se identificar, contou que o caminhão de lixo trava o trânsito por volta das 20h. Por ser uma via de grande fluxo e de mão dupla, os demais veículos são obrigados a esperar a oportunidade de ultrapassar o caminhão para seguir em frente.

 

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Especialista defende treinamento e fiscalização

Para o especialista em mobilidade urbana, José Ricardo Daibert, deveria haver maior treinamento com os motoristas para que o trânsito seja menos prejudicado. "Devido a uma cultura de ação individual no trânsito, motoristas de veículos oficiais sentem-se no direito de agir da maneira como querem, como se a atitude fosse justificada pelo fato de estarem trabalhando", explica. Para ele, é mais fácil educar e treinar condutores profissionais, mas é necessário cobrança. "O treinamento com quem trabalha no trânsito é simplificado, e a mudança de hábito é mais rápida, visto que faz parte do seu trabalho. Mas para que isso aconteça de forma plena, é preciso fiscalização."

Segundo o diretor de planejamento do Demlurb, Paulo Delgado, os motoristas da departamento são constantemente instruídos a encostar os veículos quando há espaço na via. "Fazemos orientações com as equipes, mas são situações difíceis, é um trabalho muito pesado e, muitas vezes, nossos funcionários também são desrespeitados pela população." Já com relação aos horários, Delgado explica que o tempo gasto em cada rua depende da demanda. "As rotas foram estudadas e definidas de forma a adequar as vias com maior movimento para o período noturno. Dependendo do caso, se mudarmos o horário, vai demandar custo operacional, e os trabalhadores poderão gastar até três horas a mais para realizar os itinerários."

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