O fechamento da única maternidade pública do município de Santos Dumont está impactando o Hospital Regional João Penido em Juiz de Fora. A unidade, instalada no Bairro Grama, é referência para 38 cidades da região, no entanto, só recebia casos de alto risco. Como a assistência às gestantes no Hospital Misericórdia da cidade vizinha foi interrompido em julho, por falta de pediatras, o número de grávidas atendidas na unidade juiz-forana triplicou em agosto, chegando a 31 pacientes de Santos Dumont. Toda grávida que se sente mal ou entra em trabalho de parto precisa enfrentar 62 quilômetros de estrada para receber assistência pelo SUS local.
Segundo um funcionário da maternidade do João Penido, que preferiu não ser identificado, os 18 leitos do setor têm sido insuficientes para acomodar todas as pacientes. "Esse aumento da demanda de Santos Dumont dificultou nosso atendimento. Tem dias que passamos apertados, mas, como temos o setor de pré-parto, com salas preparadas para parto normal, alocamos essas gestantes lá e damos prioridade de leito àquelas que têm gravidez de risco. Por enquanto, ninguém deixou de receber atendimento," afirma.
De acordo com titular da Secretaria de Saúde de Santos Dumont, José Francisco Dias, o convênio com o Hospital João Penido foi expandido para garantir a assistência a grávidas e bebês durante a interrupção temporária do atendimento no Hospital Misericórdia. "Disponibilizamos ambulância 24 horas para os deslocamentos. A distância é um fator de risco, mas os casos com necessidade de acompanhamento e cesarianas sempre foram transferidos para Juiz de Fora, independente da situação atual."
Segundo o secretário, a unidade filantrópica de Santos Dumont foi contratada diretamente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) para oferecer o serviço de maternidade, porém, devido ao fechamento do setor, os recursos repassados ao hospital foram suspensos, seguindo orientação do Ministério Público, até que a assistência seja regularizada. O diretor do Hospital Misericórdia, Diego Andrade, alega desconhecer tal orientação e afirma que há déficit nacional de médicos para pediatria. Segundo ele, a equipe de enfermeiros e obstetras está completa, mas a lei não permite a realização de partos sem a presença de pediatra e, por isso, a unidade precisa de quatro especialistas para restabelecer o funcionamento da maternidade, que costumava fazer uma média de 40 partos por mês. Além de Santos Dumont, a unidade atendia Aracitaba e Oliveira Fortes.
