
Para a maioria dos atuais vereadores, o exercício do mandato foi um bom negócio. Levantamento feito pela Tribuna com base nos pedidos de registro de candidaturas protocolados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mostra o crescimento do patrimônio de dez parlamentares municipais acima da inflação no período de julho de 2008 a julho de 2010. A vereadora Ana Rossignoli (PDT), por exemplo, que havia registrado bens avaliados em R$ 90 mil há quatros anos, hoje tem posses de R$ 525 mil. O crescimento foi superior a 400%. Seu percentual de valorização patrimonial só não foi maior do que o do vereador Luiz Carlos dos Santos (PTC). Depois de registrar bens orçados em R$ 31.750 em 2008, ele contabilizou agora com R$ 335.500, num salto superior a 900%. Ana e Luiz Carlos informaram, respectivamente, que possuem como ocupação o magistério e a odontologia.
Em valores absolutos, no entanto, o patrimônio que mais se encorpou nos últimos quatro anos foi do vereador José Laerte (PSDB). Dos R$ 1.409.100 registrados em 2008, ele pulou para R$ 2.598.600 neste ano. Atrás dele aparecem Ana, com acréscimo de R$ 435 mil, José Fiorilo, com R$ 386.540,17, e Noraldino Júnior (PSC), com R$ 376 mil. Somadas as declarações patrimoniais dos 19 vereadores, o balanço foi positivo. Eles passaram de R$ 5.729.889,06, há quatros, para os atuais R$ 8.455.373,07. Apenas Wanderson Castelar (PT) e José Emanuel (PSC) não declaram nenhum tipo de posse nas duas ocasiões. Antônio Martins (Tico-Tico, PP), que em 2008 não havia registrado bens, neste ano apresentou patrimônio de R$ 300.
Mas nem todos os vereadores têm o que comemorar. Para José Tarcísio, os últimos quatro anos não devem trazer boas recordações. No período, ele viu seu patrimônio reduzir de R$ 2,2 milhões para R$ 1,5 milhão. Foi a maior desvalorização de toda a Câmara Municipal. Além dele, João do Joaninho (DEM) e Carlos Bonifácio (PRB) também registraram baixas em suas posses. O primeiro perdeu R$ 43.898,98 durante a legislatura, saindo de R$ 392.378,84 para R$ 348.479,86. Já o patrimônio do atual presidente da Câmara teve uma retração mais suave, caindo de R$ 65 mil para R$ 51 mil. Francisco Canalli (PMDB), José Sóter de Figueirôa (PMDB) e Rodrigo Mattos (PSDB) registraram crescimento do valor dos seus bens abaixo da inflação do período. Entre aqueles que fizeram declaração de patrimônio em 2008 e em 2012, Canalli segue como o mais pobre. Suas posses avaliadas em R$ 26.618,75 hoje somam R$ 32.500.
Oito milionários entram disputa ao legislativo
A disputa por uma vaga de vereador tem o candidato com o maior patrimônio declarado das eleições municipais em Juiz de Fora. O médico e atual vereador José Laerte (PSDB) registrou bens avaliados em R$ 2,5 milhões. O montante supera o valor declarado pelo prefeito Custódio Mattos (PSDB), que lidera o ranking patrimonial da corrida pela Prefeitura. Seguindo a distância o tucano, aparecem os candidatos João Kenedy Ribeiro (PMDB), com R$ 1,7 milhão, e João Henrique do Raio X (PDT), com R$ 1,6 milhão. Médico e vereador, assim como José Laerte, José Tarcísio (PTC) apresentou patrimônio de R$ 1,5 milhão. O mesmo valor aparece na declaração de patrimônio da ex-secretária de Atividades Urbanas da Prefeitura, Suely Reis (PSDB). Em seguida vêm Leonardo Bello (PMDB), com R$ 1,3 milhão, e Manoel Ferreira (PDT), com 1,2 milhão.
O ex-prefeito Alberto Bejani (PSL) fecha a lista dos candidatos milionários. Ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,17 milhão. Entre os seus bens figura a Fazenda Liberdade, localizada no município de Ewbank da Câmara, avaliada em sua declaração em R$ 350 mil. A mesma propriedade foi alvo de uma transação em 2008, segundo relatou o próprio ex-prefeito na ocasião, com o valor estimado em R$ 1,2 milhão. O montante teria sido inclusive entregue a Bejani em espécie e apreendido mais tarde pela Polícia Federal em sua residência durante a Operação Pasárgada. O suposto comprador da fazenda, no entanto, negou em depoimento ter feito o negócio. Dessa forma, a propriedade acabou permanecendo com o ex-prefeito.
Em sentido oposto aos oito concorrentes com patrimônio milionários, a maioria dos candidatos a vereador declarou posses inferior a R$ 100 mil ou mesmo não possuir posse alguma. Desse grupo, conforme levantamento feito pela Tribuna, uma parcela significativa está filiada a partidos menores e sem expressão. Em relação à atual legislatura, dos vereadores eleitos e atualmente no exercício do mandato, apenas dois entre aqueles que declararam patrimônio, tinham bens avaliados abaixo de R$ 50 mil. Por outro lado, dez possuíam posses acima de R$ 100 mil. Já naquela ocasião, José Laerte e José Tarcísio registraram balanço patrimonial milionário. Wanderson Castelar (PT), José Emanuel (PSC) e Antônio Martins (Tico-Tico, PP) não apresentaram declaração de bens.
42% dos candidatos ao legislativo não nasceram em JF
Dos 19 vereadores da Câmara de Juiz de Fora, 11 não nasceram no município. O sucesso eleitoral dos migrantes nas últimas eleições municipais parece ter animado outros políticos na mesma situação. Levantamento feito pela Tribuna revela que 42% dos candidatos a vereador na disputa deste ano são oriundos de outras cidades de Minas e de outros estados. Os dados sobre os concorrentes nas eleições proporcionais revelam também o predomínio de homens no páreo juiz-forano, com idade média de 47 anos e ensino médio ou superior completo (ver quadro). O mesmo levantamento aponta oito postulantes com patrimônio superior a R$ 1 milhão, entre eles, o ex-prefeito Alberto Bejani (PSL).
Mesmo com a forte presença de candidatos de cidades da região, foi do Rio de Janeiro que saíram mais concorrentes à Câmara de Juiz de Fora. Ao todo são 22 cariocas no páreo. Em seguida, aparece Santos Dumont com dez representantes e Mar de Espanha com seis. O vereador Rodrigo Mattos (PSDB), que nasceu em Birmingham, na Inglaterra, e o Pastor Samuel Figueiredo (PTB), oriundo Nova Lisboa (Huambo), Angola, são aqueles que mais andaram para pleitear a cadeira de vereador juiz-forano. Ainda em termos de distância, mas restringindo apenas ao território nacional, o baiano Luís Artur Moura Lignani (PTC), natural de Salvador, foi quem veio de mais longe. Por outro lado, quase na cozinha juiz-forana, quatro candidatos nasceram em Chácara e outros quatro em Coronel Pacheco.

