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Medo entra na rotina de São Mateus

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Os casos de violência têm chamado a atenção dos quase 20 mil moradores de São Mateus, um dos bairros mais tradicionais da Zona Sul. A presença de agências bancárias de quase todas as instituições financeiras, o que seria vantagem para a população, hoje é motivo de preocupação. Em menos de uma semana, duas pessoas foram assaltadas e tiveram grandes valores em dinheiro roubados nas proximidades de bancos. No caso mais recente, registrado no dia 2 de julho, um homem de 44 anos teve revólveres apontados para a cabeça por dois rapazes, na Avenida Itamar Franco, por volta de 15h. A dupla exigiu o dinheiro, cerca de R$ 25 mil, que a vítima levaria até a Caixa Econômica Federal, na Rua Padre Café.

Já no dia 27 de junho, outro homem, 48, levou um tapa no rosto e perdeu R$ 24 mil após realizar um saque no Banco do Brasil da Rua Oswaldo Aranha. Ele levava o dinheiro a uma agência do Itaú, na Rua São Mateus, quando foi abordado por uma dupla nas proximidades do estacionamento onde deixou seu veículo. Nos dois casos, os bandidos fugiram de moto e não foram localizados.

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Assim como os assaltos violentos, o tráfico de drogas não tem escolhido local nem horário para atuar no São Mateus. Uma professora universitária de 26 anos ficou decepcionada quando tentou utilizar a Praça Jarbas de Lery Santos como área de lazer para sua filha de 2 anos, no último dia 1º de julho. Ao chegar à quadra, a poucos metros de uma base da Polícia Militar, por volta de 18h30, a docente percebeu que havia uma criança, entre 10 e 11 anos, cheirando cola de sapateiro e vendendo crack. Imediatamente, ela deixou o local com a filha e o marido.

"Quando estávamos saindo, dois adultos chegaram procurando crack com o garoto. Ouvi dizerem inclusive: ‘Esse menino tem pedra da boa.’ Foi então que pensei em ir ao posto policial, porque, se eles não pudessem fazer nada com o menino, pelo menos poderiam fazer com os dois adultos. Chegando lá, estava tudo escuro, fechado, sem ninguém aparentemente."

Morando em Juiz de Fora há oito anos, a professora ainda procura um local seguro para levar a filha nos fins de semana. "Na praça, eu não vou mais."

O comandante da 32ª Companhia da PM, responsável pela Zona Sul, capitão Ricardo Schafer, garante que o posto funciona 24 horas por dia. "O que pode ter acontecido é o policial estar fazendo alguma averiguação nas imediações. Mas eu asseguro que o posto policial tem escala de trabalho 24 horas. Não abro mão disso em São Mateus."

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Histórico de problemas

Na praça de São Mateus, já houve registro de outros problemas, o que estaria dificultando a ocupação por parte dos moradores. No início de junho, dezenas de adolescentes se armaram com paus para um possível confronto com outros jovens. A confusão, ocorrida por volta das 10h, só não foi maior porque policiais militares chegaram a tempo e dispersaram as gangues.

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Os artesãos que vendem seus trabalhos na feirinha nos finais de semana também percebem a situação. Enquanto montam as estruturas das barracas, nas manhãs de sábado, costumam observar garrafas de vidro quebradas pelo chão e pessoas dormindo nos bancos, frutos de uma madrugada conturbada na praça. "Nos prédios em volta, existem muitos idosos, que se sentem constrangidos", observa a artesã Rosângela Oliveira, 52 anos, membro da Associação de Artesãos de São Mateus.

 

População idosa mais vulnerável

Um em cada cinco moradores do São Mateus tem mais de 60 anos, conforme dados do último censo do IBGE. Em números absolutos, o bairro é a segunda área com maior número de idosos da cidade (2.938), ficando atrás apenas do Centro (5.392). Essa população, naturalmente mais vulnerável, tem preocupação cada vez maior com a segurança, problema pouco expressivo em São Mateus há alguns anos.

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Há 20 anos, o maestro carioca Sylvio Gomes, 69 anos, procurou em Juiz de Fora a segurança e a tranquilidade que não tinha na capital fluminense. Em busca de qualidade de vida, escolheu o São Mateus para viver. "Vim, fugindo da violência e do trânsito. É justamente isso o que estamos começando a importar para cá", lamenta. A rotina do maestro já começa a mudar devido ao aumento da violência. Os vizinhos dele já pensam em contratar um porteiro fixo para o condomínio onde moram. "Pagamos impostos altíssimos. Merecemos ter segurança!"

Outra moradora, que preferiu não se identificar, conta o que passou a fazer para se proteger: "Não fico andando com bolsa na rua. Coloco cartões e o dinheiro dentro de bolsa de plástico, que chama menos atenção." Além do medo de assaltos, ela teme pelas constantes brigas na esquina das ruas São Mateus e Moraes e Castro. "Outro dia, meu genro teve que ficar 20 minutos na portaria do prédio, esperando para sair de casa, porque estava acontecendo uma briga durante a madrugada."

Explicações

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Na visão do comandante da 32ª Companhia da PM, capitão Ricardo Schafer, os dois assaltos nas proximidades de agências bancárias não podem ser vistos como aumento da violência no São Mateus, pois refletem, entre outras coisas, falta de cuidado das vítimas em carregar grande quantidade de dinheiro. "Até então, o bairro estava muito tranquilo." O policial ressalta que, no início deste mês, durante a operação "Região segura", foram feitas mais de cem abordagens a motociclistas só no São Mateus. Em boa parte dos assaltos, os bandidos usam motos como veículo de fuga. Já segundo o 27º Batalhão, a PM realizou 214 operações no bairro nos seis primeiros meses de 2012 e dobrou o número de prisões.

Sobre a situação da Praça Jarbas de Lery Santos, o capitão reconheceu que esses espaços públicos podem ser utilizados por usuários de droga, mas garantiu que são feitas abordagens, inclusive com prisões, naquele local.

"Noto certa insatisfação por parte dos moradores do São Mateus. Vamos tomar atitudes para identificar o motivo. O policiamento no bairro tem excelente funcionamento. Fazemos policiamento preventivo, as estatísticas de crimes violentos vêm melhorando muito. Buscamos intensificar o policiamento comunitário e as visitas tranquilizadoras, além de empregarmos diversas modalidades de patrulhamento, inclusive dando apoio a operações da Polícia Civil."

Valorização

Mesmo com o aumento da percepção de violência, o São Mateus continua entre os bairros de classe média mais procurados para se morar, principalmente pela proximidade do Centro e pela oferta de serviços no próprio bairro. "Quem sai, é porque melhorou sua condição social e vai morar em um condomínio fechado", analisa o corretor Luiz Octávio Fontes. "Os imóveis continuam se valorizando cada vez mais. Até quando, não sei."

 

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