A Delegacia Especializada de Homicídios instaurou inquérito ontem para apurar as circunstâncias da morte de Josemar José da Fonseca, de 29 anos, executado com três tiros enquanto trabalhava na área externa da Paraibuna de Papéis, no Distrito Industrial, Zona Norte, na noite de segunda-feira. Segundo o delegado Carlos Eduardo Rodrigues, a polícia trabalha com as hipóteses de latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio para o caso. No episódio, um outro trabalhador, de 67 anos, também foi baleado. As duas vítimas foram rendidas por dois homens e levadas para uma trilha, onde Josemar foi morto. Após também ser alvejado, o sobrevivente se fingiu de morto e conseguiu escapar depois que os bandidos fugiram. “Alguns bens pessoais das vítimas foram roubados durante o crime, porém, apuramos uma informação que dá conta de que a vítima fatal teria sido assassinada por vingança, pois foi testemunha de um júri. Ainda não há como definir a intenção do crime “, disse o delegado.
Inicialmente, a Polícia Militar apontou latrocínio como possível motivação para o crime. No entanto, uma nova versão, relacionada a um caso de vingança, foi levantada. Segundo o documento policial, Josemar teria sido testemunha em um julgamento, ocorrido em março. Na ocasião, ele e um promotor teriam sido ameaçados pelo réu, um jovem de 25 anos, suspeito de homicídio em 2007. Ainda segundo o boletim de ocorrência, antes de ser encaminhado ao centro cirúrgico, o idoso teria informado as características dos autores do assassinato. Os homens teriam dito “tio, infelizmente você também vai ter que morrer”.
Conforme Carlos Eduardo, ele e uma equipe de investigadores estiveram ontem em Ewbank da Câmara, onde morava e foi sepultado Josemar José. “Conversei com familiares e já coletei algumas informações. Além disso, solicitei as imagens do circuito interno de câmeras da empresa e vou pedir cópias do processo no qual Josemar era testemunha”, comentou, acrescentando que irá ouvir pessoas que estavam trabalhando com as vítimas. Os suspeitos do crime ainda não foram identificados.
HPS
O funcionário de 67 anos, alvejado no tórax no episódio, foi transferido ontem para o CTI do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Mesmo com a transferência, a assessoria de comunicação da unidade diz que o paciente se mantém lúcido e estável. A Tribuna fez contato com a Paraibuna de Papéis, que ainda não comentou o assunto. Durante a tarde de ontem, as ligações não foram atendidas. Segundo o delegado Carlos Eduardo Rodrigues, os dois trabalhavam na construção de um galpão, na área externa da empresa.
