As más condições do Mergulhão, na Avenida Rio Branco, Centro, chamam atenção dos muitos juiz-foranos que circulam pelo local diariamente. Principal via de acesso da área central e da Zona Sul a bairros como Manoel Honório, Bairu e Bom Clima, a estrutura registra tráfego intenso durante todo o dia. Na parte inferior, onde circulam os veículos, é possível observar rachaduras nas paredes e marcas de água, denunciando infiltrações. "Em alguns lugares já tem até planta brotando", observa a professora Cláudia Evangelista, que faz o trajeto todos os dias. No período chuvoso, é comum ocorrerem alagamentos no local, situação agravada pela realização das obras de reestruturação urbanoviária da Avenida Rio Branco. "É uma vergonha, moro nessa região há anos e, toda vez que chove, isso vira uma piscina", reclama a aposentada Luíza Maria Xavier Ribeiro.
A parte superior da estrutura, voltada para a passagem dos pedestres, também tem trincas no solo e aspecto de abandono. "Sempre achei perigoso passar por aqui, principalmente à noite. O lugar é meio deserto, meio largado, e isso sempre é prato cheio para assaltantes", conta o comerciante José Geraldo Vieira Bittencourt. No início de março, o local recebeu novo sistema de iluminação, com a substituição das lâmpadas antigas por peças mais potentes e a instalação de dez novos postes. "Ficou bem melhor, mas, ainda assim, tenho medo de andar por aqui sozinha depois das 17h", diz a estudante Carla Regina Tostes.
Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras, o processo de reestruturação da Avenida Rio Branco contemplará o trecho do Mergulhão, que passará por intervenções tanto na área de circulação de veículos quanto na de pedestres. As obras ainda não têm data para serem iniciadas, mas entre os trabalhos previstos estão recomposição da argamassa, recapeamento, melhorias na iluminação interna, lavagem e pintura de todo o conjunto (incluindo o guarda-corpo), além da vedação de trincas e rachaduras, o que deve solucionar o problema das infiltrações. A assessoria da pasta informa, ainda, que os trabalhos serão realizados em esquema especial, provavelmente aos fins de semana ou no período noturno, para evitar transtornos ao trânsito do local. O cronograma de atividades será definido junto à Settra.
Estrutura conta com bombas de sucção
Em relação ao acúmulo de água no Mergulhão, uma das principais reclamações, sobretudo no período de chuvas, a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras esclarece que há no local um sistema de bombeamento da água, mantido pela Cesama. Ainda segundo a assessoria, os alagamentos são problemas pontuais, normalmente causados por fatores externos, como o entupimento de bocas de lobo.
Já a Cesama informa que o dispositivo é composto por quatro bombas de sucção, que levam para o Rio Paraibuna a água pluvial e a proveniente do lençol freático que passa pela região. A pasta também explicou que o aparato funciona automaticamente, sendo as bombas acionadas de forma progressiva e gradual, conforme o volume de água acumulada. O sistema é monitorado pelo Centro de Controle Operacional, na sede da Cesama, no Centro. A companhia acrescenta que nunca houve entrave no funcionamento das máquinas, que "são vistoriadas periodicamente".
