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Rede de captação pluvial da cidade não suporta chuvas

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As fortes chuvas registradas, nesta semana, em Juiz de Fora, resultaram em alagamentos no área central e nos bairros, situações que causaram prejuízos financeiros e apreensão, expondo a deficiência da rede de captação pluvial no município. Conforme a Secretaria de Obras, a última grande intervenção na área aconteceu na década de 1970, antes da acelerada expansão urbana, observada sobretudo na Zona Sul e na Cidade Alta. Por meio da assessoria de comunicação, a pasta admitiu que a rede atual não comporta as transformações ocorridas, principalmente nos dias de precipitação intensa em curto período de tempo. Na tarde de quarta-feira, uma forte enxurrada arrastou uma criança de 8 anos, no Bairro Santa Luzia, Zona Sul. Kauan das Dores da Silva foi socorrido, mas morreu antes de dar entrada no Hospital de Pronto Socorrido (HPS).

Embora reconheça a gravidade da situação, a Prefeitura informa que não há recursos disponíveis para a reestruturação da rede de drenagem em Juiz de Fora. Atualmente existe um projeto pronto para reformulação da rede na Zona Norte, no entanto, faltam recursos para iniciar a obra, avaliada em aproximadamente R$ 21 milhões.

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Na tarde desta quinta-feira (14), a Tribuna retornou a alguns dos locais afetados pelas tempestades desta semana. Na Rua Osório de Almeida, no Poço Rico, região Sudeste, onde a água subiu rapidamente na chuva de quarta-feira, comerciantes informaram que os transtornos são antigos. "Sorte que não está chovendo de madrugada, assim ainda tenho tempo para tirar minha mercadoria do chão. A água sobe rápido e atinge minha loja", relatou o comerciante Milton Luis da Silva, 49 anos, proprietário de uma papelaria.

Em outros pontos, lixo e mato alto eram  vistos nas bocas de lobo. É o caso da Rua Doutor José Cesário, no Alto dos Passos, Zona Sul, onde até a calçada ficou coberta pela água. Na Avenida dos Andradas e na Avenida Rio Branco, na altura do Bom Pastor, que passaram por obras recentemente, os problemas persistem. Conforme a Prefeitura, as intervenções realizadas no ano passado não contemplaram a rede de captação de água pluvial.

Já na Avenida Pedro Henrique Krambeck, paralela à BR-440, em São Pedro, as enchentes têm se tornado comuns, inclusive em chuvas de curta duração. Segundo a Prefeitura, não há intervenções programadas para a área, apenas manutenção das bocas de lobo, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Morte

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A falta de infraestrutura na captação de água pluvial é evidente na Rua Humberto Berzoine, no Santa Luzia, região Sul, palco da morte do menino Kauan, incluído pela Secretaria Estadual de Defesa Civil entras as vítimas do período de chuvas. Foi a primeira morte em Juiz de Fora, e a 24ª no estado.

A via íngreme, que dá acesso a bairros como Vale Verde e Ipiranga, possui poucas bocas de lobo em um trecho de aproximadamente 400 metros. A Tribuna identificou apenas duas do lado direito da rua, e outras três do esquerdo. Todas estão cobertas por mato, e algumas encontram-se completamente obstruídas. O aposentado Jorge Antônio, 70 anos, que vive na área há 22, denuncia o perigo durante as chuvas. "A água desce com força suficiente para carregar uma pessoa. Se os bueiros estivessem limpos, talvez a água não descesse pelo asfalto." Segundo a Secretaria de Obras, uma equipe irá ao local avaliar o problema e programar reparos.

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