Em época de chuvas constantes, o estado em que se encontram os bueiros e as bocas de lobo da cidade torna-se foco de preocupação. A má conservação destes pontos e a falta de conscientização da população são fatores responsáveis pela obstrução da rede de captação de água e esgoto, consequentemente, causando alagamentos. Outro agravante, segundo o coordenador do curso de especialização em análise ambiental da UFJF, Cézar Barra, é a junção da rede de drenagem pluvial na de esgoto, como é o caso de Juiz de Fora. "O ideal seria que esses sistemas fossem separados, já que possuem funções diferentes, e um pode não comportar o trabalho do outro. Se a situação já não é adequada e requer mudanças, que não podem ser colocadas em prática rapidamente, a manutenção das bocas de lobo é fundamental."
A Tribuna percorreu as ruas de Juiz de Fora e encontrou bueiros abarrotados de lixo. Próximo à ponte do Manoel Honório, na esquina das avenidas Brasil com Rio Branco, Zona Leste da cidade, na grade da boca de lobo, havia sacolas plásticas, frascos de produtos de higiene e tampas de potes plásticos. "Aqui a situação é ainda mais complicada porque ficam moradores de rua e carroceiros que deixam todo tipo de lixo no local. Além disso, os outros moradores também contribuem com a sujeira", falou um comerciante da região que não quis se identificar.
Na Rua Mariano Procópio, próximo ao número 750, no bairro de mesmo nome, Zona Nordeste, o bueiro está obstruído pelo lixo. Há, inclusive, pedaços de madeira na grade, o que impediria a passagem da água em caso de chuva. Já na Garganta do Dilermando, Zona Leste, mato e pedras tomam conta das bocas de lobo, nos dois lados da via no ponto mais íngreme. Além de detritos, restos de construção podem ser encontrados em bueiros. Exemplo é a boca de lobo na Rua São Geraldo, em frente número 207, no Bairro Costa Carvalho, região Sudeste. Segundo moradores, a situação é consequência da falta de educação da própria população. "As pessoas não são educadas para não jogar o lixo em local inadequado. Portanto, enquanto não existir essa consciência, o único jeito é a conservação permanente das bocas de lobo", disse o professor Cézar Barra.
Um ‘caminhão’ de sujeira por dia
O Bairro Vale Verde, na Zona Sul, foi um dos locais afetados pela chuva na última semana de dezembro em Juiz de Fora. Quatro moradores chegaram a ficar ilhados em casa porque faltou escoamento. A população reclama que córregos e bueiros precisam de limpeza. Só na Rua Maria Aparecida Martins, há três pontos entupidos, com muita terra na entrada do bueiro. "Nessa rua, a água desce direto, porque os bueiros estão sujos. Em algumas ruas do bairro, não há nem mesmo boca de lobo e, quando chove, ninguém consegue passar de tanta água acumulada", reclama o vice-presidente da Associação de Moradores do Vale Verde, Bruno Daibert.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras, o mau-hábito dos juiz-foranos, que jogam lixo em local inadequado, é um dos agravantes para limpeza e manutenção das bocas de lobo, de um modo geral, uma vez que, se não houvesse esse problema, a conservação seria necessária em menor escala, minimizando os transtornos. Ainda de acordo com a assessoria da pasta, a média é de 30 bocas de lobo limpas diariamente. O volume de lixo recolhido, como garrafas PET, restos de material de construção, sacolas plásticas, entre outros, chega a encher a caçamba de um caminhão todos os dias. A assessoria ressalta que o lixo no bueiro entope a rede, além de impedir que a água escoe naturalmente, provocando os alagamentos. As solicitações para limpeza das bocas de lobo podem ser feitas na Secretaria de Obras pelo telefone 3690-7403.
