
Bombeiro explica a necessidade de ficar atento ao local onde são guardados os cilindros
A explosão de gás ocorrida na manhã de ontem, no Rio de Janeiro, causando a morte de três pessoas e ferindo outras 17, reacendeu a discussão sobre os perigos de manusear este tipo de produto, presente em praticamente todos os lares em forma de botijões. O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, tem diversas outras utilizações, que vão desde o aquecimento de fornos nas indústrias até a esterilização de equipamentos cirúrgicos nos hospitais.
Segundo a assessoria de comunicação da Liquigás, distribuidora da Petrobrás, o produto mais vendido no Brasil é conhecido como P-13. Trata-se de um botijão que armazena 13 quilos do gás, sendo utilizado, principalmente, nas residências. Já no comércio, como padarias, lanchonetes e restaurantes, os proprietários preferem recipientes maiores, de 45 e 90 quilos.
Os procedimentos de segurança para lidar com o produto são praticamente os mesmos, independente da forma de armazenamento. O comandante da Companhia de Prevenção do Corpo de Bombeiros, capitão Leonardo Nunes, explica que é necessário ficar atento a alguns aspectos, como o local onde são guardados e a condição dos equipamentos auxiliares: mangueiras e válvulas de conexão. "O GLP não tem cheiro. Mas um odor é inserido artificialmente no gás como procedimento de segurança. Então esse cheiro é primeiro sinal de que algo está errado."
Nesta situação, conforme o capitão, é indicado abrir as janelas e não acender a luz. "Quando acionamos o interruptor sai uma pequena faísca dos fios elétricos. Se o ambiente estiver com gás, pode explodir." Esta, inclusive, é uma das hipóteses levantadas para a explosão ocorrida ontem no Centro da capital fluminense.
Fiscalização
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Atividades Urbanas, os fiscais de postura verificam procedimentos de segurança envolvendo os botijões de gás em estabelecimentos comerciais, mas, quando algo inadequado é constatado, o Corpo de Bombeiros é acionado. Capitão Leonardo conta que, por dia, são vistoriadas cerca de dez lojas. A verificação é feita com base em normas de segurança e características do projeto estrutural. O Código de Posturas do Município também prevê normas para utilização, transporte e armazenamento dos botijões. Os cilindros devem estar em local com boa ventilação natural, protegidos de sol, chuva e umidade, afastados de outros produtos inflamáveis e distantes, no mínimo, 1,5m de ralos, caixas de gordura e esgoto. Os bombeiros lembram, ainda, que mesmo o botijão reserva deve ser guardado em local seco e ventilado.
Atenção redobrada devem ter os estabelecimentos que mantêm centrais de gás GLP. No Restaurante Universitário da UFJF, no campus, por exemplo, são servidas seis mil refeições por dia, com consumo de 900 litros de gás por semana. A quantidade é equivalente a 29 botijões de 13 quilos. O local onde os cilindros são armazenados, conforme a Companhia de Prevenção dos Bombeiros, é isolado e bem arejado. Já os canos que transportam o produto devem ser verificados periodicamente para evitar vazamentos.

