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Que Juiz de Fora queremos ser? Projeto amplia debate sobre identidade e futuro da cidade

Que Juiz de Fora

(Foto: Leonardo Costa)

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Depois de ocupar ruas e diferentes espaços de Juiz de Fora para ouvir moradores, o Nossa JF ampliou a conversa sobre a cidade para o ambiente digital. Criada pelo Moinho, a iniciativa busca identificar, de forma coletiva, características, percepções e desejos associados ao município para ajudar a construir uma visão sobre sua identidade e os caminhos que pode seguir no futuro. Agora, até o dia 20, qualquer pessoa pode participar da pesquisa pela internet.

A nova etapa dá continuidade a um processo que já passou por workshops, ações de rua e atividades em diferentes pontos da cidade. Para Caio Esteves, especialista em place branding e fundador da N/Lugares Futuros, responsável pelo desenvolvimento do projeto, levar a consulta para o on-line permite alcançar também quem não teve contato com as atividades presenciais.

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“A ideia é conseguir expandir essa participação ao máximo”, afirma.

Os resultados ainda dependem da análise conjunta das respostas presenciais e digitais. A etapa nas ruas, porém, deixou uma impressão clara. Caio conta que se surpreendeu com a facilidade de envolver as pessoas e com a disposição encontrada para discutir a cidade.

“Todo mundo tinha algo a contribuir, tinha algo a dizer”, relata. Para ele, a participação mostrou uma população politizada não necessariamente no sentido partidário, mas consciente da importância de ocupar espaço nas decisões sobre os rumos do município.

“Dá para dizer uma coisa que, para mim, é muito positiva: a disposição da comunidade de Juiz de Fora para colaborar na discussão de uma cidade melhor“, completa.

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Do Nossa JF ao Por JF

O interesse em transformar a reflexão sobre a cidade em uma discussão mais ampla também aproximou o Nossa JF do Por JF, projeto-movimento da Rede Tribuna de Comunicação criado para estimular uma agenda permanente em torno do desenvolvimento do município.

Para o coordenador de Planejamento Estratégico da Rede Tribuna, Michael Guedes, a parceria surgiu de forma natural pela proximidade entre os propósitos das duas iniciativas. Enquanto o Nossa JF procura reconhecer as marcas e diferenciais da cidade a partir da participação da sociedade, o Por JF propõe manter em circulação o debate sobre os caminhos para o crescimento de Juiz de Fora.

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Através da discussão do que Juiz de Fora tem de diferente, do que Juiz de Fora tem de marca, podemos ter consolidado um caminho para seguirmos nesse processo de desenvolvimento e crescimento”, argumenta Michael.

Na avaliação dele, compreender melhor aquilo que caracteriza Juiz de Fora pode fornecer uma base para discussões que vão além do próprio Nossa JF. É nesse ponto que a parceria se conecta à proposta do Por JF: usar o debate sobre identidade, potencialidades e desafios da cidade como ponto de partida para pensar seu desenvolvimento. A Rede Tribuna, segundo Michael, entra nesse processo também pelo papel que exerce há 45 anos acompanhando as transformações do município e mediando discussões de interesse da população.

Identidade antes da estratégia

A pesquisa faz parte de um processo de city branding, conceito usado para pensar de forma estratégica a identidade de uma cidade a partir de suas características, vocações e da relação que as pessoas mantêm com ela. Diferentemente da criação de uma marca comercial, o trabalho começa ouvindo quem vive, trabalha, estuda, empreende ou mantém algum vínculo com o lugar para entender o que o diferencia e o que ele pode representar.

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Por esse motivo, o trabalho de campo busca diferentes pontos e públicos, além de observar como Juiz de Fora é percebida para além de seus limites. Ligado à gestão da iniciativa, Caio explica que moradores, estudantes, empresários, visitantes e pessoas de outras cidades da região também ajudam a formar essa leitura mais ampla sobre o município.

Embora o conceito possa ser associado de imediato à promoção turística, Caio destaca que o processo tem alcance maior. Atrair visitantes, investimentos e talentos está entre os possíveis objetivos, mas há também um movimento além que, é reforçar o pertencimento de quem mora, trabalha, estuda ou empreende na cidade.

Encerrada a coleta, as contribuições serão reunidas a outras frentes de pesquisa para formar um diagnóstico sobre Juiz de Fora. A partir dele, o projeto seguirá para discussões sobre a singularidade do município, cenários possíveis para as próximas décadas e, posteriormente, ações capazes de transformar essas ideias em planejamento.

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Caio compara esse percurso ao uso de duas lentes: Primeiro vem o microscópio, voltado para “as entranhas da cultura da cidade”. Depois, o telescópio, que permite olhar para o que Juiz de Fora pode e deseja ser no futuro.

*Estagiário sob a supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.

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