
Desde a última quinta-feira (9), 687 alunos da Escola Estadual Clorindo Burnier estão sem aulas por conta de uma infestação de piolhos de pombos. Conforme a Secretaria de Educação, a suspensão foi necessária para que fosse feita uma dedetização na escola, localizada na Rua Cabo Raul José Maria, no Bairro Barbosa Lage, Zona Norte, já que o problema afetou as dependências do prédio. Funcionários e professores estão afastados das atividades escolares, mas vizinhos da instituição também sofrem com o problema. A reportagem esteve no endereço e flagrou diversos pombos na instituição de ensino, que está com os portões fechados. A previsão é que as atividades voltem ao normal nesta quinta-feira (16).
O problema não é novo, segundo os estudantes. Eles afirmam já terem ficado sem aulas diversas vezes por conta da presença das aves. “Esta foi a vez que ficamos mais tempo sem aulas. Faz três anos que eu estudo no Clorindo Burnier e sempre acontece. Tem muito pombo, o que causa muito mau cheiro por conta das fezes e incomoda demais. Já ficamos várias vezes sem aula por um ou dois dias por conta de problemas causados pelas aves. Ao meu ver, tinha que ser feito algo para sanar o problema, e não só algum paliativo”, disse uma aluna de 17 anos do 2º ano, que preferiu não ter o nome divulgado.
Outra aluna, 16, também reclamou da situação. Para ela, os prejuízos são maiores com relação ao calendário escolar. A garota está no 1º ano do ensino médio. “Vou começar a fazer o Pism este ano, e esta falta de aulas nos prejudica, mesmo elas sendo repostas. Depois, temos que ter aulas aos fins de semana, sem contar que acumula muita coisa”, afirmou a adolescente.
Os pombos incomodam também moradores vizinhos do colégio. A dona de casa Luciana de Oliveira, 43 anos, que mora na vizinhança há 26 anos, convive diariamente com o problema. “As aves entram aqui, fazem sujeira e ninhos. Limpamos estes dias, mas ontem já encontrei dois ovos”, disse. A pensionista Manoelita Bortoni afirmou que vive na mesma casa há 50 anos, e sempre houve o problema. “Já virou uma praga aqui, causa transtornos pra nós”, disse.
Novo calendário
A Secretaria de Estado de Educação informou que, na próxima quinta-feira (16), a inspetora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, responsável pela Escola Estadual Clorindo Burnier, realizará uma reunião com a direção e demais educadores para definir um novo calendário escolar, com a devida reposição de aulas.
No mesmo dia, conforme a pasta, a inspetora irá avaliar o local para verificar a necessidade de outras intervenções, a fim de evitar novas infestações e outros problemas relacionados. A secretaria esclareceu, ainda, que nenhum aluno apresentou complicações de saúde em função do problema detectado nas dependências da escola, de acordo com avaliação da inspeção escolar.
Fezes dos animais podem trazer doenças
Segundo o chefe do setor de Zoonoses da Secretaria de Saúde, o médico veterinário José Geraldo de Castro Júnior, são quatro as principais doenças que podem ser transmitidas pelas fezes dos pombos, suspensas no ar. Das causadas por bactérias, a salmonelose e a ornitose – ou psitacose – são as principais. A histoplasmose e a criptococose são as outras duas, cujos agentes causadores são fungos.
“Estas doenças são comumente ligadas a pombos, pois são aves mais urbanas, entretanto, também podem ser transmitidas por outras aves”, afirma. O chefe do setor reitera, contudo, que o pombo, por si, só não transmite, mas é um potencial transmissor das doenças, por meio de secreção ou excreção – principalmente por meio das fezes secas destes animais. Outra possibilidade de transmissão é por meio da contaminação de água e alimentos, também pelos dejetos.
Em linhas gerais, José Geraldo explica que tais moléstias podem causar alterações intestinais, como dor abdominal e diarreia. Em casos extremos, é possível contrair meningite. Entretanto, todas as doenças têm tratamento. O que se recomenda, portanto, é que, ao fazer limpeza em áreas fechadas, as pessoas devem usar proteção para as mucosas de boca, nariz e olho, que são os principais tecidos de absorção dos organismos de contaminação. Já com relação aos piolhos que parasitam os animais, o veterinário esclarece que eles não transmitem doenças. “Sobre o outro incômodo causado pelos pombos, o piolho do pombo, não transmite doença, mas pode causar uma dermatite alérgica”.
