Aproveitando o período de estiagem, um grupo de geólogos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) virá a Juiz de Fora para mapear áreas consideradas de risco. A visita ainda não foi agendada, mas o início dos trabalhos em Minas está previsto para começar em 30 de julho. Além de Juiz de Fora, os municípios da Zona da Mata de Barbacena, Ervália, Muriaé, Matias Barbosa, Visconde de Rio Branco e Ewbank da Câmara também terão locais de risco levantados. De acordo com informações do CPRM, os técnicos irão utilizar uma metodologia capaz de gerar dados para o Sistema de Informação Geográfica (SIG).
Todo o material será transferido à Defesa Civil municipal, e, no final desta pesquisa, os dados gerais serão enviados ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os trabalhos de setorização de riscos ‘muito alto’ a ‘alto’ deverão durar em torno de 40 a 50 dias.
De acordo com o superintendente da Defesa Civil de Juiz de Fora, major José Mendes da Silva, a expectativa é de que esta pesquisa auxilie na obtenção de recursos. "Acredito que, com resultados mais precisos das áreas consideradas de risco, poderemos, além de conseguir mais verbas, ter a oportunidade de aplicar melhor os investimentos e evitar problemas futuros." Ele acrescentou que também haverá espaço para apresentar os estudos anteriores realizados em Juiz de Fora. "Em 2006 e 2007, a Defesa Civil começou o mapeamento das áreas de risco baseado nos assentamentos precários. Chegamos a verificar a existência de 42 locais nessa situação. Depois realizamos nova pesquisa, usando a declividade dos terrenos como premissa, e outros 34 locais foram classificados como de risco. Com os resultados, criamos um plano de risco para conter os acidentes. Agora, com este novo trabalho, teremos mais condições de verificar qual é a realidade do município em relação às áreas propensas a ocorrerem acidentes em função da ação das chuvas."
O professor de geotecnia da UFJF, Márcio Marangon, acrescentou que Juiz de Fora está um pouco adiante de alguns municípios. "Em certos locais, não existe nenhuma pesquisa preliminar. A cidade já possui um estudo anterior que apresenta deficiências, mas que tem qualidades a serem consideradas. Na dissertação de mestrado que orientei recentemente, enumeramos tais imperfeições que podem ser corrigidas a partir do trabalho dos técnicos do Governo. Entretanto, não sabemos se o estudo complementará o que já existe ou se ele será reiniciado. Mesmo assim, creio que os resultados dependem de como este processo será administrado."
