A descoberta de um laboratório de refino de cocaína no Bairro Nova Era, na Zona Norte, pela Polícia Militar, no último domingo (12), terminou com a liberação, no mesmo dia, da única pessoa presa na ação: uma jovem de 20 anos. Segundo a advogada da suspeita, a soltura ocorreu por falta de provas, diante da “ausência de elementos que indicassem seu envolvimento com atividade ilícita”.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher foi ouvida e liberada. O caso será investigado pela 3ª Delegacia, onde foi instaurado inquérito pelo delegado responsável, Marcos Vignolo, que já solicitou a realização de exames periciais. A Tribuna teve acesso ao Boletim de Ocorrência da Polícia Militar, que detalha a ação e a apreensão de pelo menos 20 itens, entre eles celulares, dinheiro, porções de maconha e cocaína, máquina seladora, balança de precisão, materiais para embalagem e duas facas.
Entenda o caso
Informações da Polícia Militar indicam que a equipe realizava uma operação na região quando um jovem de 22 anos, que estava encostado em um carro, se assustou ao perceber a aproximação da viatura. Ainda segundo o registro, pouco depois ele foi visto saindo de uma residência e fugiu ao notar que seria abordado. O suspeito não foi localizado. A polícia também informou que ele tem passagem por tráfico de drogas.
No interior do veículo em que o jovem estava apoiado, os policiais encontraram uma mulher de 20 anos, apontada como namorada dele. Durante as buscas no carro, a PM localizou uma sacola com 43 porções de maconha embaladas para comercialização, escondida no assoalho.
A atenção dos policiais se voltou, então, para o imóvel de onde o suspeito havia sido visto saindo. Segundo o boletim de ocorrência, o portão e a porta de entrada estavam abertos, o que teria permitido aos militares visualizar, ainda do lado de fora, porções de maconha no interior da residência. Diante disso, os policiais entraram no imóvel. Em um dos cômodos, que, conforme a corporação, não apresentava sinais de habitação, foi localizado um laboratório com cocaína e materiais utilizados para o acondicionamento de drogas.
O escritório de advocacia responsável pela defesa dos suspeitos, afirmou que a abordagem inicial ocorreu em via pública e que, em seguida, policiais entraram em um imóvel nas proximidades. Em nota, a defesa sustenta que há “relevantes questionamentos quanto à legalidade dessa extensão da diligência” e argumenta que a abordagem em via pública, por si só, não autoriza automaticamente a entrada em residência, sobretudo sem mandado judicial ou comprovação de situação de flagrante delito vinculada ao imóvel.
A defesa também afirma que, até o momento, não há provas concretas que vinculem a jovem ao imóvel onde as substâncias foram localizadas. O escritório destaca ainda que a situação jurídica da mulher, de 20 anos, difere da de seu namorado, com quem, segundo a defesa, ela mantém união há mais de um ano.

