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Interdição na José Lourenço sobrecarrega trânsito e afeta moradores no Borboleta

Interdição na José Lourenço sobrecarrega trânsito e afeta moradores no Borboleta
Engarrafamento no Borboleta Felipe Couri
Congestionamento registrado na região da Rua José Lourenço mostra os reflexos da obra na mobilidade urbana (Foto: Felipe Couri)
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A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) interditou um trecho da Rua José Lourenço, no Bairro Borboleta, Zona Oeste, para corrigir uma erosão na rede pluvial, no dia 18 de março. Inicialmente prevista para ser finalizada em apenas três dias, a Administração municipal afirmou, na última semana, que não é mais possível traçar uma previsão para o término da intervenção e para a liberação total da via, em função da complexidade da obra.

Quando esteve no local, na semana passada, a Tribuna conversou com Wolney Morais, de 46 anos, que havia parado a bicicleta junto à barreira sanfonada de isolamento. Indignado, ele registrava com o celular a chegada de um caminhão da Prefeitura às 8h39, horário que fez questão de destacar: “99% da população já está trabalhando e não tem ninguém aqui. Isso é uma obra emergencial, a cidade está em estado de calamidade. Paga hora extra, faz o que tiver que fazer.”

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Morador do Bairro São Pedro, na Cidade Alta, ele acredita que a demora para a conclusão da obra ocorra “por falta de empenho”. “Desse jeito, demora mais um mês, atrapalhando tudo, acabando com o bairro.” Segundo ele, entre 7h e 8h, o engarrafamento chega até o bairro onde mora. O morador afirma ainda que o trajeto entre sua casa, na Via São Pedro, e o Manoel Honório, na Zona Leste, onde vai com frequência, que antes levava 20 minutos, agora demora uma hora a mais.

Evander Ribeiro do Carmo, 32, também morador da região, afirma que o trânsito está “caótico” desde as chuvas do fim de fevereiro. Ele relata preocupação com a travessia de idosos até um ponto de ônibus e de crianças até uma escola, na rua de baixo, sobretudo porque os motoristas não param. Ao comparar a situação à da Avenida Rio Branco, ele se refere ao trânsito intenso e aos constantes engarrafamentos no trecho. “Aqui está igual à (Avenida) Rio Branco”, compara.

Evander Ribeiro do Carmo, 32, também morador da região, afirma que o trânsito está “caótico” desde as chuvas do fim de fevereiro. Ele relata preocupação com a travessia de idosos até um ponto de ônibus e de crianças até uma escola, na rua de baixo, sobretudo porque os motoristas não param. “Aqui está igual à (Avenida) Rio Branco”, compara, em referência ao trânsito intenso e aos engarrafamentos constantes no local.

“Está pior que a Rio Branco”, afirma Jussara Tertuliano, 52, proprietária de uma escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental na Rua Tenente Paulo Maria Delage, via que passou a concentrar parte do tráfego desviado da Rua José Lourenço e hoje registra fluxo intenso nos dois sentidos. “Na Rio Branco ainda tem sinal, a gente consegue ter momentos para atravessar. Aqui, não. Ninguém respeita. (…) Tem pai que fica 15 minutos para tentar atravessar na faixa.”

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Há 12 anos à frente da escola naquele endereço, Jussara afirma que este é o pior momento enfrentado no período e também define a situação como “caótica”. Ela conta que, no dia anterior, levou 30 minutos da entrada do Vale do Ipê até a escola, em um trajeto que, segundo o Google Maps, levaria cerca de 4 minutos.

Jussara também aponta falta de educação no trânsito e destaca outro problema: a única faixa de pedestre nas proximidades está apagada. “Acho que, por ser uma porta de escola, uma via principal, tinha que ter pelo menos um agente de trânsito, ou então reforçar aquela faixa para as pessoas enxergarem que é uma travessia de pedestre.”

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Os problemas ainda incluem o barulho do tráfego intenso, que atrapalha as crianças, e a poeira levada até a entrada da escola, que precisa ser lavada diariamente. Além disso, os pais que levam os filhos de carro encontram dificuldades para parar os veículos, o que acaba agravando ainda mais o trânsito ou levando motoristas a cometer infrações, como subir na calçada.

Quem também reclama do barulho provocado pelos engarrafamentos e buzinaços é Iracema Pacífico, 69, aposentada. “Está atrapalhando muito a gente, não dá nem para assistir televisão. E eu tenho uma irmã que estuda, o barulho atrapalha ela.” Assim como outros moradores ouvidos pela reportagem, Iracema define a situação como “caos”.

Prefeitura cita complexidade da obra e ampliação dos danos na rede

Em resposta à Tribuna, a Prefeitura de Juiz de Fora atribuiu a demora na conclusão da obra à complexidade da intervenção e à identificação de novos danos na estrutura da rede pluvial. Segundo o Executivo, o problema inicialmente atingia um segmento de cerca de 12 metros, com prazo estimado de dez dias para reparo.

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“Quando foi identificada a abertura da erosão, a Prefeitura atuou de forma imediata para a execução de reparos no trecho colapsado. Inicialmente, tratava-se de um segmento de aproximadamente 12 metros de rede com prazo estimado de execução de dez dias. Optou-se também pela modernização da rede, com a substituição das antigas manilhas de concreto por tubulação PEAD (polietileno de alta densidade), material que apresenta maior durabilidade, agilidade no assentamento e menor suscetibilidade a processos erosivos”, informou a PJF em nota à Tribuna.

A PJF também alegou que o serviço é de “alta complexidade”, uma vez que a rede se encontra em grande profundidade, o que dificulta a execução das ações. Além disso, após a recomposição do trecho colapsado, equipes técnicas identificaram o comprometimento de um novo segmento no local, com extensão aproximada de 50 metros. Segundo a Administração municipal, esse trecho integra a rede de grande diâmetro, composta por tubulações de 1000 milímetros, considerada estratégica para a drenagem de Juiz de Fora.

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