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233 adolescentes flagrados por infrações na cidade

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Polícias e lideranças políticas reunidas na sede da Risp
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Polícias e lideranças políticas reunidas na sede da Risp

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A violência crescente entre adolescentes já levou 233 garotos, entre 12 a 18 anos, a serem apreendidos em flagrante somente entre janeiro e março deste ano, em Juiz de Fora. No ano passado, em igual período, foram 182 apreensões, portanto houve um aumento de 28% nos casos. Muitas vezes, a criminalidade envolve gangues de bairros rivais. Com relação a estes confrontos de galeras, o crescimento de ocorrências foi de 17%. De 1º de janeiro até 31 de março, foram 106 registros com alguma referência a grupos adversários na PM, enquanto que, no mesmo período de 2010, foram 90. As estatísticas da PM apontam que as ocorrências envolvendo galeras acontecem mais entre 18h e 23h59 e concentram-se aos domingos, provavelmente devido à realização de bailes funk. Agressão física, uso de arma de fogo e de materiais perfurantes foram os principais meios utilizados pelos adolescentes nos embates. Esta situação que envolve a juventude da cidade preocupa autoridades, que se reuniram ontem para debater o assunto. O encontro aconteceu na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) com a presença de representantes das polícias Militar e Civil, Vara da Infância e Juventude, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secretaria de Educação, Superintendência Regional de Ensino (SRE) e Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds). Ao chamar atenção para os índices de criminalidade, o objetivo das polícias é alertar para a necessidade de um trabalho conjunto de vários setores.

O problema envolvendo as gangues, de acordo com o chefe da Seção de Emprego Operacional da 4ª RPM, major Alexandre Nocelli, foi diagnosticado em praticamente todas as regiões da cidade, mas o geoprocessamento dos dados apontou como mais preocupante a área Central. Segundo ele, isso pode ser explicado pelo fato de alguns locais serem ponto de encontro de galeras de vários bairros, como um shopping na Praça do Riachuelo e imediações de escolas públicas. Como a Tribuna já relatou em diversas matérias, grupos têm se enfrentado no entorno de escolas, como a Estadual Delfim Moreira (Grupo Central), Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) e Estadual Estêvão de Oliveira. Nesta última, uma briga entre dois alunos terminou com a morte do adolescente Junielson Antônio Odilon da Silva, de 16 anos, esfaqueado por um estudante da mesma idade. Segundo moradores vizinhos da escola, na Rua Oscar Vidal, após a morte do estudante, grupos de adolescentes com suposta intenção de brigar ainda estariam sendo vistos no entorno da instituição, mas a Polícia Militar tem agido com rapidez.

Além do Centro, segundo levantamento divulgado ontem, a Zona Norte preocupa. Segundo a PM, um dos pontos de atenção é a área limítrofe entre os bairros Barbosa Lage e Cidade do Sol. Ainda na Zona Norte, as estatísticas alertam para ocorrências desse tipo no Milho Branco, Benfica e Ponte Preta. Já na Zona Sul, bairros como Santa Luzia e Ipiranga foram destacados. Esses bairros foram citados pela Tribuna, em meados do ano passado, quando a reportagem mostrou que os jovens de gangues estavam colocando vídeos na internet que faziam apologia ao crime e até assumiam homicídios cometidos contra integrantes de galeras rivais.

Conforme levantamento realizado pela Tribuna, no ano passado, nove pessoas até 17 anos foram assassinadas em Juiz de Fora, boa parte vítimas de outros adolescentes e cuja motivação para o crime foram rixas de gangues, de acordo com a polícia. A maior quantidade de mortes violentas (15) foi registrada na faixa entre 18 e 25 anos. Este ano, o único homicídio contra menor de idade, até agora, foi o do estudante Junielson da Silva.

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‘As polícias não aguentam esse fardo sozinhas’

No encontro entre as diversas autoridades que lidam com jovens em Juiz de Fora, a tônica comum foi a de que o problema das gangues na cidade não é apenas caso de polícia. "As polícias não aguentam segurar esse fardo sozinhas", resumiu o delegado chefe do 4º Departamento da Polícia Civil, Eduardo da Silva. Já para o chefe da 4ª Região da Polícia Militar, coronel Ronaldo Nazareth, o combate efetivo aos crimes praticados por menores de idade esbarra na impunidade favorecida pela atual legislação, que prevê o acautelamento máximo de três anos. "O juizado tem dado atenção especial nesses casos, mas há falhas na lei."

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A secretária de Educação, Eleuza Barboza, destacou a falta de preparo dos professores em lidar com a violência no ambiente escolar. Ela defendeu que seja levado para dentro das escolas grupos que possam capacitar os docentes a lidar com conflitos nas instituições. "Os professores estão acuados. Se eles se fortalecem, perdem o medo."

A saída apontada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-JF, Jair Guilherme Fernandes do Vale, é a oferta de atividades extras nas escolas. "A pior coisa para o adolescente é não ter o que fazer." A implantação de ações interdisciplinares também foi a solução defendida pelo psicólogo da equipe técnica de ação socioeducativa da Vara da Infância e Juventude, Maycon Michael Moura. "O trabalho deve ser feito em todas as instâncias, desde a casa até o crescimento desse adolescente como pessoa."

Ao final do encontro, a representante da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Renata Cortez, convidou as autoridades a pensarem propostas concretas a serem apresentadas em uma próxima reunião.

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A efetividade e a viabilidade das ideias debatidas podem evitar que se repitam tristes casos, como a de um juiz-forano de 16 anos que já tem uma extensa ficha criminal. De acordo com a PM, só este ano, o rapaz foi apreendido com drogas em cinco oportunidades. Em uma delas, em janeiro, ele estava com 241 pedras de crack. Na última apreensão, há um mês, foram 13 buchas de maconha encontradas com ele. De acordo com a assessoria de comunicação da Seds, apesar das sucessivas apreensões por parte da PM, o jovem não se encontra acautelado no Centro Socioeducativo.

 

Centro Socioeducativo está lotado

Atualmente, 68 adolescentes estão acautelados no Centro Socioeducativo, que funciona no Bairro Santa Lúcia, Zona Norte, com capacidade para receber até 66 jovens. A demanda por acautelamentos na cidade seria ainda maior, conforme o diretor da entidade, Alexandre Corrêa Rocha, presente na reunião ocorrida no Risp. Segundo ele, a decisão da Vara da Infância e da Juventude em acautelar um jovem suspeito de ato infracional leva em consideração, entre outras variáveis, a disponibilidade de vagas no Centro Socioeducativo. Quando não há vagas, uma alternativa é o envio de adolescentes a outras unidades no estado. O diretor garante ainda que, no interior do prédio, não há problemas de enfrentamento de jovens. "A grande dificuldade é saber onde vamos inserir esse adolescente após a saída dele."

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Monitoramento na web

Como forma de auxiliar o trabalho de prevenção aos enfrentamentos de gangues, o setor de inteligência da Polícia Militar realiza um trabalho de monitoramento dos jovens nas redes sociais da internet. Os detalhes das ações são sigilosos, mas o chefe da seção, major Edelson Gleik, garante que o acompanhamento apresenta resultados positivos, como nos casos em que a PM consegue prever enfrentamentos entre gangues, combinados pela internet. "Esse monitoramento tem o objetivo de prevenção, para ajudar no trabalho dos policiais fardados nas ruas." Ainda conforme o major, fotos de adolescentes segurando armas postadas em redes sociais podem ser usadas para fortalecer a solicitação de mandados de busca e apreensão contra menores de idade.

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