
Além de ondulações e buracos, camadas do piso se desprendem do solo entre JF e Bicas
Placas de asfalto estão se soltando da pista da BR-267 no trecho que passou por revitalização há apenas seis meses, entre Juiz de Fora e Leopoldina. O segmento é acesso para quem segue para o Espírito Santo, para a região Norte do Rio de Janeiro e para a Bahia. A Tribuna percorreu cerca de 20 quilômetros da via, na tarde de segunda-feira, e identificou diversos problemas estruturais. Um dos piores pontos observados está entre os kms 76 e 70, entre Juiz de Fora e Bicas, onde existem ondulações e buracos perto de curvas acentuadas, o que aumenta o risco para os usuários da estrada.
Partindo de Juiz de Fora, os primeiros problemas são encontrados ainda no perímetro urbano, em direção ao Bairro Floresta. No km 86, parte do novo asfalto se descolou do chão, sendo possível visualizar, inclusive, a pintura da antiga camada. As rachaduras na pavimentação também são flagrantes no km 82, em uma descida próximo ao trevo de acesso a Chácara. Ondulações e uma cratera obrigam usuários a se desviar do local, trazendo mais perigo. O mesmo quadro é encontrado no km 80, onde as falhas estão no meio da pista.
Um dos proprietários da Viação Santos afirma que a situação tem causado problemas na suspensão dos ônibus da empresa, que oferece cerca de 30 viagens diárias entre Bicas e Juiz de Fora, pois é grande o número de buracos. "Sem contar que muitos condutores tentam sair dos desníveis trafegando pela contramão. Nossos motoristas contam que são várias as imprudências flagradas." Transtorno também para quem trafega com frequência pela rodovia. O publicitário Fábio Lessa, 27 anos, viaja semanalmente para Bicas. "Sempre vejo carros parados para trocar pneus ou com o eixo quebrado. Também encontro facilmente marcas de freadas no asfalto, pois muitos buracos estão perto de curvas. A situação piorou a partir de novembro, junto com o período de chuvas."
De acordo com o supervisor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na região, Edson Ruffo, parte da rodovia foi deteriorada após as chuvas do início do ano, quando outras estradas foram fechadas devido a quedas de barranco ou erosões, e o fluxo destas vias teve que ser transferido para a BR-267. Entre as rodovias que ficaram fechadas está a MG-353, que teve seu movimento transferido para o trecho entre Bicas e Juiz de Fora. Ruffo afirma que o aumento do tráfego de veículos pesados naquela ocasião foi o responsável pelo desgaste do asfalto recém revitalizado. "Importante frisar, porém, que a BR-267 não passou por obras de restauração. O que fizemos (até setembro de 2011) foi colocar uma camada nova de asfalto, de três centímetros, em cima da antiga pavimentação. A empresa responsável pelos trabalhos já iniciou a recuperação nos trechos atingidos. A previsão é de concluir as atividades até quinta-feira", afirma. Ruffo garante que o trabalho será refeito sem custo adicional, já que o contrato com a empreiteira Terrayama, no valor de R$ 3 milhões, ainda está em vigor.
Ainda conforme o supervisor do Dnit, a empresa mantém um contrato de dois anos com o Dnit. Neste período, que se encerra em setembro deste ano, ela deve revitalizar o segmento que se inicia na BR-116, em Leopoldina, e termina próximo à BR-040. São 115 quilômetros de extensão.
Melhorias devem chegar a outro trecho
Outro trecho da BR-267, que ainda não havia passado por intervenções, deverá ter obras iniciadas em até dez dias. A revitalização vai atingir o segmento entre o posto Chamonix, no Bairro Retiro, e o antigo posto da Polícia Militar, na Vila Ideal, na região Sudeste, que coincide com a União e Indústria. A informação é do escritório local do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Segundo a assessoria de imprensa do Dnit, os trabalhos envolvem o recapeamento de quatro centímetros de asfalto e implantação de nova sinalização horizontal, além de melhorias nas baias de ônibus existentes ao longo do segmento. As intervenções ocorrerão entre os km 89 e 98,5 e km 111,7 e 115,3.
A Tribuna já percorreu o trecho por diversas vezes nos últimos anos para mostrar a situação de precariedade. Além do asfalto ondulado e deteriorado em boa parte da rodovia, a sinalização é falha, falta acostamento, não há calçamento para os pedestres e, em alguns trechos, o afunilamento da pista aumenta o risco de acidentes graves, sobretudo no túnel, na altura do km 90, e no km 91, na ponte sobre o Rio Paraibuna, que possibilita apenas a passagem de um veículo pesado por vez.
Edson Ruffo, do Dnit, explica que o contrato em vigor com a empreiteira não prevê instalação de equipamentos de segurança na rodovia. "A manutenção da estrada é feita com recursos do projeto Crema 1ª etapa, do Dnit. Apenas na segunda etapa do projeto, que deve ter início no fim do ano, outras modificações devem ocorrer." Conforme o supervisor, o próximo contrato é de cinco anos, e o projeto para o perímetro urbano de Juiz de Fora já estaria pronto, mas ainda não foi orçado. Estão previstas construções de acostamentos, passarelas, restauração da estrada e recuperação de pontes.

