Um dentista de 67 anos foi encontrado morto em via pública, no início da manhã de ontem, perto da casa onde morava na Rua das Calcedônias, no Bairro Marilândia, na Cidade Alta. A Delegacia Especializada em Homicídios, que instaurou inquérito para apurar o caso, trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), uma vez que a carteira da vítima foi encontrada perto de seu corpo sem dinheiro. Segundo a Polícia Militar, o dentista Jairo Rossi Valle estava com um tiro no peito, e um revólver calibre 38 foi achado ao seu lado. Apesar de disparos terem sido ouvidos por vizinhos por volta de 1h30, a vítima só foi localizada mais de cinco horas depois, quando um pedestre que passava pelo local para trabalhar em uma obra próxima acionou a PM. A arma estava com três munições deflagradas e outras três intactas. Moradores disseram aos militares que ouviram três estampidos e o barulho de um carro deixando o local, mas a placa, marca e modelo do veículo não foram visualizados.
Ainda durante a madrugada, informações anônimas chegaram ao Centro de Operações da PM (Copom) dando conta de estampidos na Rua das Marcassitas, na mesma região. Porém, mesmo com a averiguação no local por meio de viaturas, nada foi constatado. Conforme a PM, a vítima estava caída atrás de uma vegetação em um local sem iluminação, o que teria dificultado sua localização durante o período noturno.
Pela manhã, peritos da Polícia Civil realizaram os levantamentos no local. Segundo o boletim de ocorrência, o idoso apresentava queimaduras nos dedos de ambas as mãos, como se tivesse encostado no revólver para se defender, além do ferimento na região do tórax provocado por disparo de arma de fogo. Ele ainda estava com a blusa rasgada, e os botões ficaram espalhados pelo chão. Além do revólver, perto do corpo a polícia encontrou a carteira de Jairo com documentos e sem dinheiro.
A polícia ainda obteve relatos de que o dentista teria uma arma em casa e que teria perdido o emprego. O corpo foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML), e liberado para família ainda na tarde ontem. De acordo com o titular interino da Especializada em Homicídios, Rodolfo Rolli, as evidências levam a crer que dentista foi vítima de um latrocínio, já ele teria retirado dinheiro de uma agência bancária e sua carteira foi encontrada sem dinheiro. “Possivelmente, ele reagiu ao assalto e foi baleado pelo criminoso”, afirmou Rolli, acrescentando que a vítima portava uma arma de fogo e que teria ainda tentado disparar contra o ladrão, mas o tiro não teve êxito, já que se tratava de uma arma antiga. “Isso talvez tenha provocado o disparo feito pelo ladrão”, ressaltou o delegado. Segundo ele, a arma da vítima foi recolhida e encaminhada para a perícia, já que toda essa história ainda será comprovada. Ontem, uma equipe de investigadores foi deslocada para o local do crime a fim de verificar a existência de câmeras de segurança. “Se houver essas imagens, elas podem ajudar a esclarecer o que houve de fato no local do crime.”
Ainda conforme Rodolfo Rolli, apesar de estar armado, o dentista não possuía porte para uso e a arma não era registrada. “A pessoa que anda com arma antiga e ainda não possui porte pode se colocar em risco, já que, nessa onda violência em que vivemos, ao ser assaltada, ela pode querer reagir, a arma não funcionar. As pessoas jamais devem reagir a um assalto, pois os bandidos, geralmente sob o efeito de entorpecentes, são capazes de tudo.”
Sexto crime
A morte violenta do dentista já é a sexta registrada neste ano. Em 2014, o ano fechou com 141 casos. O número de mortes violentas na cidade, que cresce a cada ano, vêm sendo acompanhados, desde 2010, pelo pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Leandro Piquet Carneiro. Segundo o pesquisador, se não houver uma intervenção do Estado ou da sociedade, a meta para 2015 será obscura.
