A Delegacia de Orientação e Proteção à Família instaurou inquérito nesta quinta-feira (13) para apurar a suspeita de maus-tratos a duas irmãs idosas, de 78 e 86 anos, supostamente cometidos pela cuidadora delas, de 53. As vítimas, que têm dificuldade para se locomover, moram em um apartamento na Rua Santa Rita, Centro, e há poucos dias estão internadas na Santa Casa. O delegado à frente do caso, Rodrigo Rolli, solicitou à família o prontuário médico das pacientes para exame de corpo de delito indireto a fim de identificar as possíveis lesões sofridas pelas vítimas e as condições físicas e mentais delas. Na tarde de hoje, peritos estiveram no apartamento e na casa que uma das idosas morava anteriormente, na Rua Rei Alberto, também no Centro. O objetivo da polícia, conforme Rolli, é coletar provas das condições precárias em que as irmãs viveriam, com poucos alimentos e sem higiene, e detectar possível furto de joias, que teriam desaparecido das residências, conforme denúncia da família. A cuidadora também é suspeita de efetuar, por mês, saques com cheques de R$ 10 mil e R$ 5 mil das contas das vítimas e de ficar com dinheiro de aluguéis recebidos por elas, no valor superior a R$ 10 mil mensais.
"A ocorrência me chamou a atenção. Instaurei inquérito para apurar maus-tratos e possível crime patrimonial", disse o delegado. Amanhã ele deverá ouvir dois homens e uma mulher sobrinhos das vítimas para saber mais detalhes sobre o caso. Já na segunda-feira, Rolli pretende colher o depoimento de vizinhos das idosas, que teriam escutado gritos das moradoras e suspeitado dos maus-tratos. A cuidadora deverá ser intimada para prestar declarações no mesmo dia. Segundo o titular da delegacia, caso ela não compareça, poderá ter a prisão preventiva solicitada à Justiça. "Também vou ouvir o gerente do banco onde os cheques eram descontados para saber como era o procedimento e a frequência que ela ia na agência."
Na manhã de hoje, a advogada da família,Thereza Rampinelli, entregou ao delegado documentos que podem auxiliar a investigação. Segundo ela, a mulher estaria responsável por cuidar das idosas há cerca de dois anos, mas a suspeita é de que os crimes tenham sido cometidos nos últimos oito meses. "Ela fazia ‘maquiagem’. Quando a família ia visitar, as irmãs estavam arrumadas." No apartamento da Santa Rita, conforme Thereza, haviam frutas estragadas, remédios vencidos e poucos alimentos. "Elas estão com 20, 30kg a menos do que uma pessoa normal na idade delas. Isso é um crime bárbaro. Crianças e idosos são indefesos."
Ainda de acordo com a advogada, há suspeita de que a cuidadora ficou com cartões bancários e talonários de cheques das vítimas, que não foram encontrados. Na segunda-feira, Thereza foi ao banco solicitar o bloqueio das contas de suas clientes e disse ter flagrado a mulher tentando descontar um cheque de R$ 10 mil de uma das idosas. "Ela saiu correndo", contou.
