
Sargento Sandro Heleno que viu a criança nascer e também foi atender a ocorrência da morte
Um bebê do sexo masculino, de 9 meses, morreu carbonizado, na tarde desta terça-feira (13), em um barraco de alvenaria, que se incendiou em uma área de invasão na Cidade do Sol, na Zona Norte. O incêndio, que destruiu o imóvel de um cômodo e telhas de amianto, teria começado, por volta de meio-dia e meia, quando a mãe da criança, de 30 anos, teria saído, para ir buscar leite em uma creche da vizinhança. O bebê e dois irmãos, uma menina, 4, e um menino, 2, teriam permanecidos sozinhos, na ausência da genitora. Com o início do fogo, os dois mais velhos conseguiram escapar por meio de brechas pela porta do barraco. O sargento do Corpo de Bombeiros Sandro Heleno Andrade Tavares, 42, mobilizado para apagar o fogo, foi o mesmo que ajudou no nascimento da criança, no início do ano. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, as chamas já estavam altas. Como o caminhão da corporação não conseguiu chegar próximo do imóvel, que fica em um ponto de difícil acesso, os militares tiveram que usar baldes para apagar as labaredas, utilizando água do reservatório da residência vizinha, uma vez que, naquela área, não há abastecimento de água encanada. "Depois que o fogo foi dissipado, entramos na casa e encontramos o corpo da criança, envolto em um tecido, totalmente carbonizado, em cima da cama", contou o sargento. Segundo ele, como o local ficou destruído, era impossível precisar o que teria provocado as chamas. A perícia da Polícia Civil foi acionada, a fim de apurar as causas do incêndio.
Depois que conseguiram escapar, os irmãos do bebê se dirigiram à casa de uma tia, avisando sobre a tragédia. Foram os vizinhos que chamaram o Corpo de Bombeiros. Conforme um deles, a mãe do bebê esteve no local e, ao se deparar com a morte do filho, teria entrado em desespero e saído correndo. No meio da tarde, conduzida por familiares, ela se apresentou à delegacia de Polícia Civil. Abalada, confirmou ter deixado os filhos dormindo para ir buscar leite. "Não deixei nada aceso. Mas acho que minha filha mais velha pode ter encontrado a caixa de fósforo. É a única explicação para essa tragédia. Sinto uma dor terrível, que vai me acompanhar por toda a vida." Ela ainda relatou que, depois que viu o filho morto, ficou desesperada e só pensou em procurar o marido, que é canoeiro e trabalha em uma banca de areia, no Rio Paraibuna, na altura de Santa Terezinha. "Não estava fugindo, só queria avisar o meu marido." De acordo com o tenente da PM, Fernando Fernandes de Oliveira, responsável pelo flagrante, a mãe foi qualificada, na ocorrência, pelo crime de abandono de incapaz. Até o fechamento desta edição, o caso não tinha sido concluído no plantão da delegacia. O Conselho Tutelar Norte foi empenhado para acompanhar os fatos. Segundo a conselheira Fernanda Evaristo, as duas crianças foram levadas provisoriamente para a casa de uma tia paterna. Na manhã de hoje, o caso será comunicado à Vara da Infância e Juventude. O corpo do bebê foi encaminhado para o IML.
Comoção
Para o sargento Sandro Heleno, a fatalidade de ontem tem um peso ainda maior. Enquanto ajudava com baldes de água para debelar as chamas, ele se recordava que já tinha ido até aquele local, durante os dias de carnaval deste ano, para atender o caso de uma mulher que estava em trabalho de parto. Naquela ocasião, ajudou no nascimento do bebê, cortando o cordão umbilical, e ainda auxiliou no envio da criança para uma unidade hospitalar. Com pesar, descobriu a infeliz coincidência. "É um tipo de acontecimento que nos deixa comovido. Presenciei o nascimento e a morte desta criança", disse o militar emocionado. "O sentimento que fica é de tristeza."

