Uma policial civil lotada na 1ª Delegacia Regional teria caído no golpe do falso sequestro e sido coagida por bandidos via telefone por cerca de oito horas, entre a madrugada e a manhã desta terça-feira (13). Por volta das 2h, a vítima teria recebido uma ligação e, do outro lado da linha, uma pessoa teria dito que a irmã dela, moradora de São Paulo, estava sequestrada e que seria morta caso ela não seguisse as regras impostas e pagasse o resgate de R$ 50 mil. Criminosos também teriam feito contato com o namorado da investigadora, que trabalha no setor de Trânsito e Habilitação, dando a entender que a própria policial estaria em poder de sequestradores. Informações desencontradas levaram à mobilização de dezenas de policiais, que tentaram encontrar a suposta vítima de sequestro em Juiz de Fora. Por volta das 10h, a investigadora foi localizada sozinha em uma agência bancária no Centro, quando estaria tentando sacar o valor do resgate, que já teria baixado para R$ 8 mil.
Diante da suspeita de que a policial havia sido sequestrada, a Divisão Especializada de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil em Belo Horizonte foi comunicada sobre a situação, e as polícias Militar e Federal também foram informadas, já que poderiam colaborar em sua localização. Somente quando a investigadora foi encontrada é que teria sido descoberto se tratar de uma extorsão por telefone.
A investigadora teria ficado preocupada com os pais idosos, que estariam em casa, e decidido obedecer as normas ditadas pelos criminosos pelo celular, saindo de carro na madrugada. Ela foi mantida sob coação por telefone até a abertura do banco. Descobrimos que às 3h30 ela havia efetuado um gasto em um hotel. Durante a espera pelo funcionamento da agência bancária, a investigadora teria passado pelo estabelecimento, na Avenida Presidente Itamar Franco. Policiais que estiveram com ela após o ocorrido contaram que a mulher estava em prantos, sem condições de conversar.
No caso de um telefonema sobre o possível sequestro de um parente, a Polícia Civil orienta a população a não entrar em pânico e tentar fazer contato com a suposta vítima sequestrada. Desta vez, a ligação feita para a vítima teria partido de dentro de um presídio no Rio de Janeiro, fato comum nas extorsões por telefone. As investigações continuam na tentativa de identificar os envolvidos na ação criminosa.
Tráfico
Durante o rastreamento para encontrar a policial que supostamente teria sido sequestrada e localizar criminosos, policiais civis chegaram à uma casa na Rua Capitão Bicalho, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, Zona Leste. No imóvel, dois jovens, de 18 e 24 anos, e um adolescente, 17, foram flagrados com dois sacos de pedras de crack, um barra do entorpecente, uma bucha de maconha e R$ 897, além de material para embalar as drogas. Também foram apreendidos dois celulares e, em um deles, o garoto mais novo aparecia em fotos portando arma e usando maconha. Os três rapazes foram conduzidos à 1ª Delegacia Regional. Os dois jovens seriam autuados por tráfico e levados para o Ceresp. Já o caso do adolescente seria encaminhado à Vara da Infância e Juventude. A Polícia Civil não informou se os três suspeitos teriam alguma ligação com o golpe do falso sequestro.
