O número de mulheres que denunciaram supostos prejuízos após receberem promessas de ascensão profissional feitas pela organizadora do Miss Juiz de Fora Plus Size, evento que integra o calendário oficial do município, aumentou nessa quarta-feira (12). Segundo informação da Polícia Civil, outras quatro participantes de concursos de beleza procuraram a delegacia para relatar casos semelhantes após a primeira denúncia vir a público a partir da imprensa e da operação deflagrada pela corporação – que expôs prejuízo milionário de vítima.
À Tribuna de Minas, o delegado Márcio Rocha, responsável pelo caso, afirmou que vencedores de outros concursos também procuraram a delegacia, registraram ocorrência e prestaram depoimento após relatarem prejuízos financeiros. Ele aponta que os novos denunciantes teriam feito pagamentos tanto para a conta pessoal da organizadora quanto para a associação, motivados pela expectativa de avançar na carreira.
“Também tiveram um prejuízo bastante grande. […] Não foi só na conta da pessoa física, não, foi na conta da associação também. Algumas depositaram lá”, sinalizou.
Com isso, as investigações da Operação Canto da Sereia que antes apontavam somente para o nome de uma das organizadoras, agora passa a ser também sobre a própria Associação. Em nota, a Polícia Civil informou: “os novos registros apontam para a possível participação de outros envolvidos e para a ocorrência de outras modalidades criminosas, que serão devidamente apuradas no curso das investigações”. Perguntada sobre quais seriam essas eventuais “modalidades criminosas”, a comporação respondeu quanto a suspeita de estelionatos e fraudes.
A defesa da organizadora, representada pela advogada Juliane Modesto, contestou, em contato feito pela Tribuna, as novas acusações e que os relatos devem ser analisados pelas autoridades a partir de elementos concretos e dentro do contexto de cada caso. Segundo a advogada, o fato de outras pessoas terem procurado a Polícia Civil “não significa, por si só, que as acusações estejam comprovadas”.
Ela também informou que não há, neste momento, “espaço para tratar as denúncias como fatos definitivamente comprovados”. A advogada acrescentou que as denúncias ainda estão em apuração e que adotará as medidas cabíveis para garantir o contraditório, a ampla defesa e os direitos da investigada.
O caso tramita atualmente sob segredo de Justiça. Segundo Modesto, no entanto, o sigilo não foi solicitado pela defesa da investigada.
“Trata-se de uma determinação que foi estabelecida no âmbito da própria investigação”, destacou.
Entenda o caso
As investigações da Polícia Civil começaram em fevereiro deste ano, após a denúncia de uma ex-vencedora do Miss Juiz de Fora Plus Size. À Tribuna de Minas, sob condição de anonimato, a mulher afirmou que não identificou irregularidades durante a realização do concurso. Contudo, as novas vítimas fizeram relatos diferentes, corroborando que as transferências de dinheiro foram feitas também para a associação.
Segundo o relato da primeira mulher, os problemas começaram após a vitória, quando uma das organizadoras passou a oferecer serviços à parte, valendo-se da relação de confiança construída durante o evento – que chegou a receber uma moção de aplauso da Câmara Municipal de Juiz de Fora. As propostas incluíam supostos contatos com grandes emissoras e agências, participação em castings e oportunidades de ascensão profissional.
De acordo com as investigações, no entanto, os contatos prometidos com grandes veículos não existiam. A vítima realizou diversos pagamentos à organizadora na expectativa de obter as oportunidades oferecidas e afirma ter acumulado um prejuízo superior a R$ 100 mil.
Na manhã desta quarta, a PC cumpriu mandados de busca e apreensão na residência da investigada. Por determinação judicial, ela também teve contas bancárias bloqueadas. O caso segue sob investigação, conduzida pelo delegado Márcio Rocha Vianna.

