Juiz de Fora vive um cenário de alerta na saúde pública em 2026 por causa do avanço expressivo dos casos de hepatite A. Apenas nos primeiros quatro meses do ano, a cidade já registrou mais de 700 casos confirmados da doença — um aumento superior a 1.900% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O crescimento acelerado concentra a maior parte dos registros de hepatite A em Minas Gerais e mobilizou autoridades sanitárias, profissionais da saúde e campanhas de prevenção no município.
Diante do aumento dos casos, a Prefeitura ampliou a vacinação para novos grupos prioritários e reforçou orientações sobre higiene, consumo de alimentos e cuidados após as enchentes que atingiram a cidade nos últimos meses. O tema foi destaque no programa Tribuna no Ar, que conversou com especialistas sobre as causas do surto, formas de transmissão, sintomas e estratégias de prevenção.
De acordo com o médico infectologista, Dr. Marcos Moura, existe uma relação importante entre as fortes chuvas registradas em Juiz de Fora e o aumento dos casos da doença. A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, através do contato com água ou alimentos contaminados pelo vírus. Em cenários de enchentes, o risco de contaminação aumenta significativamente devido ao contato com esgoto, água contaminada e dificuldades sanitárias temporárias. Além disso, locais com grande circulação de pessoas e manipulação inadequada de alimentos também exigem atenção redobrada.
Como acontece a transmissão da hepatite A
A hepatite A não é considerada uma doença respiratória. A transmissão ocorre principalmente por consumo de água contaminada, ingestão de alimentos mal higienizados, contato com superfícies contaminadas, falta de higiene das mãos e contato próximo em ambientes sem condições sanitárias adequadas. Por isso, especialistas reforçam a importância de medidas simples de prevenção, como, lavar bem frutas e verduras, higienizar as mãos frequentemente, evitar consumo de água sem procedência segura e redobrar os cuidados em feiras livres e alimentos crus.
Diante do aumento expressivo dos casos, a Prefeitura de Juiz de Fora ampliou a vacinação contra a hepatite A para novos grupos prioritários no Sistema Único de Saúde. A recomendação também acende um alerta para adultos acima de 16 anos que não possuem comprovação vacinal ou não sabem se já foram imunizados anteriormente. Dr. Marcos destaca que a vacina é segura, eficaz e uma das principais formas de prevenção contra formas graves da doença. Outro ponto importante esclarecido durante a entrevista é que a vacina contra hepatite A pode ser administrada junto com a vacina da gripe, sem necessidade de intervalo entre elas.
A doença pode se manifestar de forma leve, especialmente em crianças, mas também pode evoluir para quadros graves em alguns pacientes. Os principais sintomas incluem febre, mal-estar, náuseas, vômitos, dores abdominais, perda de apetite, urina escura e pele e olhos amarelados (icterícia). Em alguns casos mais graves, a hepatite A pode causar insuficiência hepática e exigir internação hospitalar. Por isso, a orientação é procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes, principalmente após contato com enchentes ou situações de risco sanitário.
Dr. Marcos Moura alerta que qualquer sintoma associado à icterícia, cansaço intenso ou alterações gastrointestinais deve ser investigado rapidamente. O diagnóstico da hepatite A é feito através de avaliação clínica e exames laboratoriais específicos. Além disso, pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados também devem buscar orientação nas unidades de saúde. Apesar do aumento dos casos em Juiz de Fora, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir a circulação do vírus. A combinação entre vacinação, higiene adequada, saneamento básico e informação de qualidade é considerada fundamental para conter o avanço da doença no município. Mais informações sobre vacinação e grupos prioritários podem ser consultadas junto à Prefeitura de Juiz de Fora e ao Ministério da Saúde.

