A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) realiza uma reunião, na tarde desta segunda-feira (13), com moradores representantes das ruas interditadas após as chuvas de 23 de fevereiro nos bairros Paineiras e Santa Helena, na região central de Juiz de Fora. O encontro foi marcado após integrantes da Comissão dos Afetados do Sopé do Morro do Cristo (Casmoc) pressionarem o Poder Público em busca de respostas sobre a liberação das nove ruas evacuadas há mais de 40 dias, todas no trecho acima da Olegário Maciel: Luís Sansão, Pasteur, Constantino Paleta, Marechal Deodoro, Halfeld, Renato Cruz Frederico, do Carmelo, Redentor e Engenheiro Murilo Miranda de Andrade. A expectativa é que um laudo geológico sobre a situação do Morro do Cristo seja apresentado. A interdição atinge mais de mil pessoas, segundo cálculos da comissão.
Um documento com os principais pontos questionados pela comunidade foi encaminhado na última sexta a vereadores e ao Ministério Público, cobrando um calendário definido para conclusão dos estudos geológicos e início das obras de contenção. O relatório também chegou às mãos do Executivo municipal, que decidiu marcar a reunião. “A Prefeitura informa que a situação da região envolve alta complexidade técnica e segue sendo acompanhada com prioridade pelas equipes responsáveis”, destaca a PJF, em nota enviada à Tribuna. “A Administração municipal se comprometeu a receber novamente os representantes das ruas afetadas assim que o laudo do geólogo estiver concluído, criando as condições para um diálogo franco, com base em informações técnicas consolidadas.”
O material elaborado pela Casmoc cita a falta de um posicionamento mais claro por parte da PJF sobre os próximos passos, já que a evacuação dura mais de 40 dias, comprometendo a rotina das famílias e a situação financeira de comerciantes que atuam na área. Em suma, a comissão pede uma resposta: Até quando deve durar a interdição? A expectativa é liberar a área mediante intervenções para viabilizar o retorno aos imóveis? De que forma?
Outras questões, segundo os residentes, ainda não tiveram solução: “o aluguel social, que até agora não saiu; moradores que não se enquadram nos critérios de renda e acabam ficando desassistidos; a demora no processamento do auxílio reconstrução pelo Governo federal; e também a falta de definição sobre a questão do IPTU.” Segundo eles, nenhum laudo técnico definitivo de interdição ou liberação foi apresentado formalmente aos afetados até o momento.
“O Poder Público não estabeleceu um canal estruturado e contínuo de comunicação com a comunidade, gerando desinformação e angústia”, desabafam. Eles reconhecem o que já foi feio pelo Poder Público, como diversas iniciativas técnicas mobilizadas após o evento, com a participação de entidades de diferentes esferas e regiões do país, mas requerem um diagnóstico técnico consolidado: “Os estudos realizados por diferentes equipes ainda não foram integrados em um documento técnico único e conclusivo.”
Moradores “unidos pela segurança, pela transparência e pelo direito de voltar para casa”
Por fim, os residentes do Paineiras e Santa Helena pedem às autoridades uma definição de plano com ações de curto, médio e longo prazo, com responsáveis, recursos e cronograma. “Hoje, o problema no Morro do Cristo está concentrado basicamente em dois pontos: blocos de rocha potencialmente soltos e processos erosivos na crista do morro. A Prefeitura já realizou levantamentos com drones (sensoriamento remoto e aerolevantamento) e também houve atuação de geólogos em campo. Também é constantemente citada a participação de uma empresa da Bahia (Conder), mas, até agora, não há uma explicação clara sobre qual é exatamente o papel dela nesse processo”, observa o advogado Pablo Gomes, integrante da Casmoc.

