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Garçonete é morta a facada no Grajaú

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Mais um caso de violência contra a mulher terminou em morte na madrugada de ontem. A garçonete Sheila Serrat da Costa Silva, 24 anos, foi assassinada a facada, dentro da casa onde morava, na Rua Isabel Pierre Feital, no Bairro Grajaú, Zona Sudeste. O principal suspeito do homicídio, segundo a PM, é o ex-companheiro da jovem, um pedreiro, 55. Por volta das 3h, parentes que moram no entorno ouviram os gritos da vítima, que pedia socorro. Um tio, 42, chegou no portão de sua residência e viu o homem correndo pela via em direção ao Vitorino Braga. Em seguida, ele foi para o imóvel da sobrinha e encontrou a porta trancada. Depois de arrombar o local, o familiar se deparou com a mulher caída na sala e ensanguentada, com um ferimento no peito. A faca que teria sido utilizada no crime, com cabo de madeira e cerca de 10cm de lâmina, foi localizada em cima da cama da garçonete.

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O Samu foi acionado, e a vítima socorrida ainda com vida, sendo levada para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ela deu entrada no centro cirúrgico, mas não resistiu ao golpe próximo ao coração e morreu. Na manhã de ontem, o corpo foi levado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). Conforme uma tia de Sheila, 34, que preferiu não se identificar, a sobrinha teve um relacionamento de, aproximadamente, cinco anos com o pedreiro. Há cerca de um ano, o casal não morava mais junto, e ele não estaria aceitando o fim da relação. Mas ninguém esperava isso. Ele fez na calada.

Ainda de acordo com a tia, a garçonete tinha um filho, 8, e estava feliz por ter conseguido recentemente um emprego numa lanchonete. No entanto, ela seria constantemente perseguida pelo suspeito. Minha sobrinha não tinha sossego. Ontem à noite (segunda-feira), ela chegou do serviço em um táxi, e ele já estava esperando. Depois de esfaqueá-la, ele trancou a porta com chave e fugiu. Meu irmão precisou arrombar a casa, e tentamos salvá-la, mas ela perdeu muito sangue. A mãe da vítima relatou à PM que o pedreiro tinha muito ciúme da filha e que a mesma teria pedido várias vezes para que ele fosse embora de sua casa, porque não queria mais o relacionamento. A família de Sheila garantiu que vai lutar por justiça. Se ele matou, tem que ser preso. Do mesmo jeito que ele fez com ela, pode fazer com outra, comentou a tia, que ainda lamentou: Os crimes contra as mulheres só estão aumentando.

Durante todo o dia de ontem, policiais militares prosseguiram com as buscas pelo suspeito. Até o fechamento desta edição, ele não havia sido localizado. Ainda pela manhã, a PM apreendeu a motocicleta Honda Bros do pedreiro, que teria sido abandonada por ele na rua onde ocorreu o crime. O titular da 6ª Delegacia Distrital, Carlos Eduardo Santos Rodrigues, informou que instaurou inquérito para apurar o caso. Pedi à PM para fazer a apreensão da moto, e também estamos em busca de informações para tentarmos fazer a prisão do suspeito em flagrante. Segundo ele, ao que tudo indica, o homicídio teria motivação passional. Pelo nosso sistema, não foi registrada ocorrência anterior. Mas durante a semana vamos ouvir os parentes da vítima para termos mais detalhes.

Julgamento

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O assassinato de Sheila, cometido supostamente pelo ex-companheiro, aconteceu um dia depois de outro caso de violência contra a mulher ter sido julgado no Tribunal do Júri. Na segunda, Fernando Calixto do Nascimento, 20, foi condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado por ter matado há um ano, mediante asfixia, a namorada e estudante de enfermagem, Juliana Nasser Couto, 21.

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580 pedidos de medidas de proteção

A morte da garçonete Sheila Serrat traz, mais uma vez à tona, a discussão da violência contra a mulher em Juiz de Fora. Só neste ano, mais de 580 mulheres solicitaram medidas protetivas à Polícia Civil contra os crimes praticados por companheiros ou ex-companheiros. Deste total, 333 procuraram o Grupo Tático Operacional (GTO) Família, enquanto cerca de 250 estiveram no plantão da delegacia, em Santa Terezinha. Para a delegada Dolores Tambasco, titular do GTO Família, há casos em que se percebe, de início, tratar-se apenas de um pequeno desentendimento entre marido e mulher, facilmente resolvido com a mediação de conflitos. Entretanto, uma situação de homicídio pode acontecer na primeira vez que surgir a agressão. Nestes casos, somente a vítima poderia explicar a razão de não ter solicitado providências anteriores, pois acredito que, mesmo não havendo outras situações de agressão, a violência já estaria latente na relação do casal, ressaltou Dolores, acrescentando que a mulher sempre pode recorrer à Lei Maria da Penha e lançar mão das medidas protetivas, que garantem, por exemplo, a possibilidade de a vítima ser abrigada longe do cônjuge que, em hipótese alguma, pode ficar próximo dela.

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Segundo a delegada, a garçonete morta na segunda-feira não chegou a pedir providências contra o ex-companheiro junto ao GTO de Família. Já para a coordenadora especial de Políticas para as Mulheres do município, Sônia Parma, enquanto não existir, em Juiz de Fora, uma vara especializada para tratar da violência doméstica, haverá uma sensação de impunidade, o que contribui para a geração de novas fatalidades. Ela ainda garantiu que, no próximo mês, já deverá estar em funcionamento o Centro de Referência da Mulher, na Rua Oswaldo Cruz, no Centro. O espaço será um salto para o enfrentamento da violência doméstica na cidade. Sônia explica que o funcionamento do centro depende ainda de seleção e capacitação de profissionais e da construção de uma rampa para acessibilidade de pessoas com algum tipo de deficiência.

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