Ícone do site Tribuna de Minas

Ambulantes vendem óculos de grau no Centro

oftalmologista analisou oculos adquirido pela tribuna e constatou diferenca entre o grau anunciado e a medida real

oftalmologista-analisou-oculos-adquirido-pela-tribuna-e-constatou-diferenca-entre-o-grau-anunciado-e-a-medida-real

Oftalmologista analisou óculos adquirido pela Tribuna e  constatou diferença entre o grau anunciado e a medida real
PUBLICIDADE

Oftalmologista analisou óculos adquirido pela Tribuna e constatou diferença entre o grau anunciado e a medida real

PUBLICIDADE

Em meio ao comércio de lojas e camelôs da Rua Marechal Deodoro, Centro, e o intenso movimento de pedestres, uma prática tem chamado atenção. Vendedores de óculos de grau se espalham por toda a extensão da via e oferecem produtos sem garantia de procedência e segurança. Sem barracas, em pé, encostados em portas e paredes e com mochilas nas costas, eles abordam pessoas e negociam a venda mediante a necessidade.

Nesta transação, receita médica não é exigida, e o produto escolhido é aquele que dê conforto momentâneo ao consumidor. A Tribuna adquiriu um destes óculos, na semana passada, por R$ 20, e levou para avaliação da médica oftalmologista Dayana Kneipp. O resultado da sua análise mostra que o produto, adquirido como 2,5 graus positivos era, na verdade, 2,25 graus positivos.

Mas este era o menor dos problemas, como a especialista relatou. Segundo ela, o uso destas lentes para leitura, comumente demandada para pessoas com mais de 40 anos, pode causar dores de cabeça e cansaço nos olhos. “Quando ele é adquirido na ótica, é feita a medida da distância pupilar, que é diferente para cada pessoa. Nestes óculos, que vêm da China, a distância é padrão, e isso pode causar o cansaço visual”, explicou, acrescentando que muitos necessitam de graus distintos em cada olho, enquanto estes são comercializados com o mesmo grau em cada lente.

Necessidade de exame

PUBLICIDADE

Adquiri-los sem antes passar pelo exame médico, ainda conforme a oftalmologista, significa perder a chance de descobrir outros problemas de saúde. Isso porque, nesta faixa etária, até 20% dos pacientes apresentam outros sintomas durante os exames, que precisam ser investigados. Entre os mais comuns estão a catarata, o glaucoma e até o diabetes (ver quadro). “O diabetes podemos identificar em um exame de fundo de olho. Às vezes, a pessoa nem sabe que está com a doença, mas conseguimos identificar a lesão e fazer o encaminhamento para o médico especialista.” Ainda segundo a médica, o uso destes óculos sem procedência está tão disseminado que já aconteceu de o paciente chegar ao consultório utilizando-os. O produto adquirido pela reportagem será doado para a Associação dos Cegos, que poderá aproveitar a armação.

SAU alega dificuldade para apreensão

A chefe do Departamento de Fiscalização da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), Graciela Vergara Marques, cita a dificuldade em apreender óculos de grau por causa por causa das características dos ambulantes irregulares. “Os que vendem óculos de sol necessitam do apelo estético, ou seja, precisam mostrar os óculos, muitas vezes expostos em isopores enormes. Fica fácil identificar e apreender. Os de grau não têm este apelo, e os vendedores deixam os óculos nas mãos ou na mochila. Ficam anunciando o produto aos gritos, mas só mostram mesmo quando há o real interesse de compra.”

PUBLICIDADE

No ano de 2014, segundo ela, foram apreendidos 740 óculos nas ruas da cidade, incluindo de sol e de grau. No ano passado, foram 498. Sobre esta redução, Graciela explica que, em 2014, houve uma grande operação na feira da Avenida Brasil, quando muitos óculos foram identificados. Ainda segundo a chefe do Departamento de Fiscalização, a venda de produtos óticos é regulamentada pela Lei Estadual 15.177, de 2004. Entre as regras está a necessidade de o vendedor ser credenciado e apresentar um responsável, que pode ser um médico ou um técnico da área. Tal cumprimento deve ser fiscalizado pela Vigilância Sanitária.

Sair da versão mobile